Após Nina falar, Verônica arregalou os olhos. Todos diziam que Nina tinha uma personalidade dócil e fácil de manipular, mas a realidade mostrava-se bem diferente.
Ela começou a suspeitar seriamente que tudo fora armado por Nina, apenas para que Gustavo testemunhasse a cena!
— Gustavo, não foi bem assim...
Verônica tentou explicar, mas, no meio da frase, Gustavo completou naturalmente por ela: — É claro que não foi assim. O Léo é uma criança educada e obediente, como ele empurraria alguém de propósito?
Verônica assentiu: — Sim, foi apenas um mal-entendido.
Depois de falar, lançou um sorriso dissimulado para Nina.
O rosto de Nina não demonstrou muita decepção, ela já esperava por aquilo. Tentou se levantar com esforço, mas, de repente, o homem ajoelhou-se e a pegou no colo. Ele a carregou até o quarto principal no segundo andar, pedindo a Dona Odete no caminho que subisse com a pomada.
Ao chegarem à sala da suíte, Gustavo a colocou com cuidado no sofá e afagou seus cabelos. — Como você escorregou desse jeito? Foi a sua hipoglicemia atacando de novo?
Por conta de problemas financeiros na infância, Nina adquiriu uma condição de hipoglicemia. Após o casamento, Gustavo a vira ter crises algumas vezes.
Nina virou o rosto, desviando-se do toque dele.
Ela já havia dito por que havia caído. Era ele quem se recusava a acreditar.
Entre ela e Verônica, Gustavo escolhera firmemente a segunda.
Sendo assim, não havia mais nada a dizer.
Toc, toc, toc.
Bateram na porta. Dona Odete entrou para entregar o remédio e, aproveitando a ocasião, apanhou o celular de Nina que estava no chão e entregou a ela.
A tela do aparelho estava estilhaçada.
Gustavo pegou o celular antes. — Está trincado, cuidado para não se cortar. Daqui a pouco eu peço um novo para você.
Sem saber em qual botão esbarrara, o celular foi desbloqueado, e as mensagens que Nina acabara de mostrar a Verônica saltaram aos olhos de Gustavo.
Nina não planejava mostrar as mensagens, mas já que ele havia visto por conta própria, a curiosidade a dominou. Inclinou a cabeça e perguntou, intencionalmente: — Quem você acha que me enviou isso?
Gustavo deu uma risadinha. — Não importa quem seja, com certeza é alguém desocupado.
E apagou tudo com um toque.
Nina apertou os lábios. — Eu acho que foi a Verônica.
— Impossível! — Gustavo endureceu a expressão. — A Verônica não é assim.
Percebendo que falara com muita rigidez, ele suavizou o tom: — Sei que você não gosta da ideia de Verônica e Léo morarem aqui, mas eu garanto que os dois são ótimas pessoas. São como você, bondosos e gentis. Quando passar mais tempo com eles, você verá.
E, como esperado, ele ficou do lado de Verônica mais uma vez.
Nina nada disse. Pegou a pomada e começou a aplicá-la em suas mãos.
No passado, ela só podia contar consigo mesma, e no futuro não seria diferente.
O celular de Gustavo tocou. Era sua secretária o apressando para uma reunião. Ele suspirou impotente e desceu.
Em sua mente, ecoavam as palavras do amigo: quando uma mulher fica com ciúmes, é algo assustador, praticamente igual ao fim do mundo.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Divorciada No Dia Do Meu Casamento