Ao deixar a residência da família Almeida, Nina pegou um táxi de volta para a mansão. Quando entrou, Dona Odete e duas funcionárias estavam limpando a bagunça na sala.
Nina olhou para o ambiente. Aquilo só podia ser descrito como trágico.
Gustavo possuía mania de limpeza. Restava saber se ele toleraria a sua paixão do passado depois de ver aquele caos.
— Sra. Mendes... — Dona Odete ameaçou falar, mas se calou. Nina respondeu com um murmúrio e subiu as escadas com a fisionomia neutra.
Ela sabia que Dona Odete desejava se queixar, mas escolhera a pessoa errada. Quem merecia escutar aquilo era Gustavo, não ela, que era dona da casa apenas no papel.
Correndo o dia inteiro, em meio a fortes oscilações de ânimo, Nina deitou de costas na cama e fechou os olhos para descansar, cogitando os passos seguintes.
Se queria garantir um divórcio tranquilo, precisava arranjar dinheiro. Como não poderia contar com o pai ou a madrasta, as finanças de que dispunha não cobriam a dívida. Mesmo vendendo as barras de ouro e pegando emprestado de Júlia, ainda não alcançaria aquele valor formidável.
Fazer um empréstimo estava fora de cogitação; não trabalhava, os bancos negariam o pedido.
A angústia começava a invadir a mente de Nina.
De súbito, lembrou-se de um detalhe. Uma lembrança que ela deixara guardada, propositalmente, durante os últimos três anos.
Agarrando o celular, deslizou a tela e parou com o dedo em cima do ícone do veterano, que fora o seu parceiro na empresa, Oliver Ferreira.
A última mensagem registrada era de três anos atrás.
Na época da universidade, ela e Oliver haviam começado um negócio do zero. Ela era a técnica e ele entrava com o capital. Fundaram uma empresa de inteligência artificial e, impulsionados pela enorme ascensão desse mercado, em pouco tempo receberam o apoio de investidores, e o negócio não parou de crescer.
Quando ela se formou e os dois se preparavam para voar mais alto, ela havia renunciado voluntariamente ao cargo de sócia-fundadora, rejeitando a própria participação acionária na companhia.
Oliver recebera a notícia perplexo: — Vai desistir de tudo, jogar o próprio trabalho no lixo por um casamento?
O rosto de Nina corou. — Sim... A família dele é muito tradicional, não gosta de mulheres nos negócios.
— Ha. Demorei todo esse tempo para perceber o quanto você pode ser tola quando está apaixonada.
Os sarcasmos dele continuaram, mas ela não voltou atrás. Perto de Gustavo, ela já se sentia muito inferior. Então, quando o marido revelara discretamente o desejo de que ela se dedicasse inteiramente a ser esposa e dona de casa, concordou imediatamente.
— Tudo bem, ficarei no aguardo do dia em que se arrepender!
Tendo dito aquilo, Oliver assinara a carta de demissão e a desligara oficialmente do grupo.
No entanto, mesmo agindo como alguém rude e impassível, Oliver a ajudara secretamente mantendo a sua parte na sociedade. Nos três anos que se passaram, a corporação alcançou grandes lucros, com dividendos milionários.
Nina: ...
Imediatamente e sem hesitar, ligou para a assistente dele. A mulher confirmou, num tom confuso, que havia agenda disponível no outro dia.
Assim que o agendamento foi oficializado, ela enviou uma nova mensagem: — Eu já confirmei meu nome na sua agenda. Nos vemos amanhã.
E a conversa por mensagens encerrou.
Nina não segurou um pequeno sorriso. Sabia que aquilo indicava que Oliver não fizera nenhuma objeção e a receberia de braços abertos.
De ânimo renovado, ela se levantou e foi para o escritório.
Ela precisava dar os toques finais e revisar mais algumas vezes aquele projeto sobre o qual se debruçava, para, enfim, submetê-lo a publicação.
Ao sentar-se na frente do monitor, o cenho juntou-se.
Tinha algo errado. Alguém mexera na sua área de trabalho.
A máquina fora guardada por ela ao final daquela manhã, mas o notebook estava aberto agora. Embora estivesse desligado, era visível que havia sido tocado.

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