O temperamento de Sandra se inflamou. Que atrevimento! Ousando gritar com ela. Um pouco de consideração e a garota achava que já era dona de tudo!
— Não ache que só porque você se casou com um Mendes, pode falar comigo dessa forma! Se não fosse eu enfrentando a família dele para forçar esse casamento, você acha que ele teria olhado para você?!
— Ha, e no próprio dia do casamento ele correu para se encontrar com a namoradinha de antigamente! Sabe o que isso significa? Significa que você não vale nada para ele! Então pare de tentar se fazer de importante!
Um sorriso amargo estampou-se no rosto de Nina. Essa era a família dela: sempre encontrando o ponto certo onde a faca doía mais.
— Sim, ele não me ama. Por isso planejo me divorciar dele, e o dote vai ser devolvido. — Nina soou calma, lançando um olhar desdenhoso a Sandra.
As palavras ecoaram como um trovão. Sandra arregalou os olhos em choque.
Ela demorou a encontrar a própria voz e perguntou, tremendo: — Você só está tentando me assustar, não é? Isso é uma piada, certo?
Transformar-se de uma garota humilde na galinha dos ovos de ouro fora tão difícil. Ela pretendia mesmo estragar tudo por causa de amor? Era idiota?
Sandra estudou Nina cuidadosamente e se convenceu de que ela devia estar brincando.
Aliviada, sua postura suavizou. — Sua madrasta é a pessoa mais velha da família, eu só te dei um puxão de orelhas, não precisava me assustar desse jeito. O casamento não é um jogo, você não pode simplesmente falar em se divorciar assim.
Naquele instante, um clique soou na fechadura. Marcos Almeida, pai de Nina, entrava em casa.
Sandra imediatamente encenou os olhos avermelhados, mordendo o lábio enquanto choramingava: — Marcos, que bom que você voltou!
Marcos não entendeu. — Por que está chorando? Quem mexeu com você?
Sandra não respondeu; apenas lançou um olhar acusatório em direção a Nina.
Nina riu friamente. Tanto um quanto outro eram excelentes atores. Às vezes ela se perguntava se estava vivendo num set de filmagens.
— Nina, peça desculpas à sua madrasta! — Marcos ordenou, sem sequer procurar saber o que estava havendo.
Nina achou graça. — Pai, você nem sabe o que aconteceu e quer que eu me desculpe?
— Não importa o que tenha acontecido. Se a sua madrasta está chorando, a culpa é sua!
O coração de Nina já carregava milhares de cicatrizes, e essa nova não significava muita coisa. Ela não perderia tempo discutindo. Levantou a cabeça em direção ao pai: — O dote que a Família Mendes deu, os seis milhões. Quero tudo de volta, nem um centavo a menos!
Marcos se enfureceu. — Você já é a senhora da Família Mendes, por que está preocupada com um dinheirinho desses?! Eu te criei à toa!
Nina retrucou, de modo calmo: — Pegar o que é meu.
Dentro do cômodo havia um cofre pequeno, trazido da casa antiga, no qual a mãe de Nina havia deixado seus pertences. A garota localizou-o de imediato, tomou-o nos braços e retirou-se sem dizer mais uma palavra.
Tsc. E ela pensando que era algo importante. Era só uma lembrança inútil daquela mulher morta. O que uma morta-de-fome poderia deixar para a filha?
Sandra revirou os olhos e fechou a porta com indiferença.
Já dentro do táxi, Nina destrancou o cofre em seu colo.
No dia em que decidira casar com Gustavo, ela havia fechado o cofre e o guardado no armário. Quem diria que hoje, no momento de se divorciar, ela o tomaria de volta?
No interior encontravam-se duas barras de ouro maciço, o presente de casamento que sua mãe economizara para ela antes de falecer, juntamente com um pingente de jade verde translúcido.
Havia um par de pingentes, na verdade. Um com ela, e o outro...
Nina apertou o amuleto na mão, chacoalhou a cabeça e tentou afastar as lembranças do jovem que surgiram em sua mente.

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