Deixe para lá. Concordando ou não, ela precisava ir à casa da Família Almeida hoje.
Depois de deixar a mansão dos Mendes, Nina foi almoçar com Júlia em um restaurante recém-inaugurado no centro, com uma atmosfera muito agradável.
— Pode pedir o que quiser, hoje é por minha conta! — Júlia fez um gesto generoso com a mão, deixando o cardápio a cargo de Nina.
Nem era preciso adivinhar; a amiga devia ter fechado mais um grande contrato.
Nina não se fez de rogada e pediu dois pratos bem elaborados.
Enquanto esperavam, Júlia perguntou com cautela: — O que a sua sogra disse? Ela concordou?
Nina assentiu: — Concordou, mas não tão facilmente.
Em seguida, ela contou como havia sido a negociação com Rute.
Júlia arregalou os olhos: — A velha sempre te odiou. Quando soube que você se casou com o Gustavo, até desmaiou de raiva e ficou no hospital. Agora que você vai se separar, ela deveria se ajoelhar para te agradecer! Como ainda ousa exigir o dote de volta?
Nina soltou um riso e sacudiu a cabeça em desânimo. — Sim, ela me detesta, mas a reputação da família vem em primeiro lugar. Quando o Gustavo fugiu no meio da cerimônia, virou a piada do ano. Se espalharem por aí que fui eu quem pediu o divórcio, ela nem vai querer sair de casa.
— Além disso, o mais importante é que ela também desconfia das más intenções da Verônica.
Júlia já conhecia a complicada história envolvendo Verônica, Gustavo e o falecido Ricardo. Ela torceu os lábios. — Aquela oferecida... Certeza de que quer levar o moleque para arranjar casamento com seu lixo de marido.
As intenções daqueles dois não interessavam a Nina. Sua cabeça estava apenas focada em como conseguiria cobrar a sua família mais tarde.
Após a refeição, Júlia ofereceu ajuda: — Eu vou com você, para te dar cobertura. Sua madrasta é barraqueira demais, e você não tem coragem de levantar a voz por consideração ao seu pai. Provavelmente vai ficar sem jeito de falar de dinheiro.
Nina agradeceu a oferta, mas recusou gentilmente: — Você passou a noite viajando, precisa dormir. Vá para casa descansar. Minha família é confusa demais. Não quero que você fique ouvindo aquele linguajar nojento.
Aos quinze anos, a mãe de Nina morrera num acidente de carro, e, nem três meses depois, o pai usara a indenização dela para se casar com a madrasta.
Um ano depois, o irmãozinho dela nascera, e desde então a vida de Nina tornara-se um inferno.
Júlia abraçou-a com carinho: — Se precisar de alguma coisa, me ligue. Eu vou correndo.
Nina retribuiu o abraço.
No fim, os céus não haviam sido de todo injustos com ela; presentearam-na com uma amiga incrível.
Tsc. Imprestável. O garoto Mendes não quis nem te acompanhar no retorno à casa dos pais.
Nina sentou-se no sofá, olhando em volta. — Quanto pagaram nessa casa? Entre as prestações e a mobília nova, não imagino que o dinheiro do meu dote tenha sido suficiente.
O sorriso de Sandra congelou: — A verdade é que não custou muito.
Nina franziu a testa. Como poderia não custar muito num local como aquele?
— Tudo graças ao meu genro. Ele nos conseguiu um ótimo preço com desconto! — Sandra disse com uma risada animada.
A mente de Nina explodiu de indignação.
— Quem autorizou vocês a pedirem alguma coisa ao Gustavo pelas minhas costas? — Ela questionou, severa, com o peito apertado de dor.
As diferenças sociais entre os dois sempre a fizeram sentir-se inferior. E, quanto mais inferior se sentia, mais sensível ficava à opinião alheia, sempre com medo de ser rotulada como alguém que forçara o casamento apenas por dinheiro.
Por esse motivo, ela tomava extremo cuidado, exigindo constantemente de seus pais que não incomodassem o marido e dando indícios a Gustavo de que ele não deveria aceitar as absurdas exigências deles.
Ela nunca imaginou que, exatamente quando pretendia se divorciar dele, a sua própria família usaria da oportunidade para arrancar-lhe uma casa.

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