༺ Amara Wild ༻
Na manhã seguinte, acordei lentamente, sentindo o conforto da enorme cama de lençóis macios que me envolviam.
Ainda sonolenta, estiquei os braços e sorri para a vista deslumbrante que se estendia pela janela, revelando o jardim bem cuidado da mansão.
O perfume das flores chegava até aqui, tornando o ambiente ainda mais agradável.
Levantei-me e fui até o banheiro para um banho revigorante. Depois, vesti um dos vestidos que Domenico tinha escolhido para mim, um modelo simples, mas elegante, que caía perfeitamente no corpo.
Ele havia comentado que seus irmãos gostavam de ver mulheres bem vestidas, então decidi seguir a sugestão, ajeitando o cabelo e passando um creme hidratante no rosto.
Evitei a maquiagem, preferindo deixar minha beleza natural à mostra, que sempre considerei o suficiente. Um pouco de perfume e desodorante, e estou pronta.
Saí do quarto e comecei a explorar o corredor imponente. A mansão era um verdadeiro labirinto, e, em certo ponto, cruzei com Luh, a empregada, que me olhou com um sorriso simpático.
— Bom dia, senhorita. Parece um pouco perdida. Precisa de ajuda?
Ri, sentindo-me um pouco envergonhada.
— Um pouco, sim. Estava tentando encontrar a sala do café da manhã. Onde é que eles costumam comer?
Luh riu, gentilmente pegou minha mão e me guiou até uma sala ampla onde a mesa já estava posta. Lá estavam os quatro irmãos, todos conversando casualmente.
Ao me verem entrar, interromperam o que estavam fazendo e voltaram os olhos para mim, um brilho intenso e curioso em seus olhares.
— Bom dia — murmurei, sentindo uma súbita onda de constrangimento ao notar a atenção que me davam.
— Bom dia — responderam em coro, cada um de um jeito diferente, mas com uma cortesia que eu não esperava.
Domenico foi o primeiro a falar, seu tom suave e quase paternal.
— Dormiu bem, Amara?
Assenti com um sorriso, satisfeita por perceber que havia uma certa gentileza ali. Mas Luca, que estava quieto até então, logo quebrou o silêncio, lançando-me um olhar enigmático.
— Estávamos pensando... talvez seja hora de você passar um tempo com cada um de nós. Assim pode nos conhecer melhor.
Franzi o cenho, um pouco desconfiada.
— Passar um tempo com cada um? Como assim?
Ele riu, como se minha reação fosse adorável.
— Sair para jantar, talvez? Ou dar uma volta. O que preferir. Seria uma chance de você nos conhecer, e de nós conhecermos você.
Pensei por um momento e acabei concordando. Não era como se eu tivesse muitas opções e, afinal, talvez fosse bom entender mais sobre eles.
Sentei-me e comecei a preparar meu café da manhã, tentando ignorar seus olhares curiosos e intensos.
Foi então que meus olhos caíram sobre uma banana no centro da mesa. Peguei-a, descasquei devagar, concentrando-me em meu movimento, porém, logo percebi que o silêncio ao meu redor havia ficado mais... intenso.
Levantei o olhar e vi que todos estavam me observando, seus olhares fixos e famintos. Enzo, sentado mais à frente, mordia o lábio, um sorriso malicioso no rosto.
Pietro desviou o olhar por um segundo, mas logo voltou a me encarar, seus olhos brilhando de interesse.
Essa tensão me deixou desconfortável pigarreei, tentando aliviar a situação.
— Vocês estão... me deixando um pouco constrangida. Porque estão me olhando assim?
Enzo, é claro, não resistiu à chance de me provocar, inclinando-se para a frente com um sorriso cheio de intenção.
— É que você pegou essa banana de um jeito tão... sedutor que ficou difícil não notar.
Pietro assentiu, concordando, enquanto seu sorriso discreto indicava que ele também havia notado cada detalhe.
Sinto minhas bochechas esquentarem, e olhei para baixo, sem saber como responder.
Domenico, no entanto, logo interveio, lançando um olhar de reprovação para os três.
— Basta. — Sua voz firme e autoritária ecoou pela mesa, cortando a tensão. — Vocês precisam aprender a ter respeito. Não vamos constranger nossa convidada com esses comentários.
Os três se recompõe, ainda que um certo brilho de provocação permanecesse nos olhares de Enzo e Pietro. Suspirei aliviada, mas, no fundo, sabia que não seria fácil lidar com eles.
Depois do café da manhã, fui para a sala, onde Domenico estava concentrado em uma pilha de papéis.
Mas ao mesmo tempo, havia algo na insistência de Luca que me fazia questionar o que exatamente eles esperavam de mim, e o que o tal "jogo" significava.
Antes que eu pudesse terminar de perguntar sobre o tal “jogo”, senti as mãos de Luca segurando meu braço com firmeza, puxando-me para uma área mais isolada.
Meu coração acelerou de imediato, e olhei para trás, vendo Domenico gritar, sua voz grave e autoritária:
— Luca, pare com isso! Ainda não é hora!
Mas Luca não demonstrou qualquer intenção de parar; ele seguiu em frente, com aquele sorriso provocador estampado no rosto, e me vi sendo conduzida para um elevador junto com os outros dois,
Enzo e Pietro, que nos acompanhavam de perto. No instante em que as portas se fecharam, o som abafado da voz de Domenico desapareceu, e tudo o que restou foi o silêncio tenso e o olhar malicioso de Luca.
— Para onde estamos indo? — perguntei, tentando disfarçar o nervosismo.
Luca inclinou-se para mais perto, com um sorriso que me fez arrepiar.
— Brincar — ele respondeu, enigmático.
Quando o elevador parou e as portas se abriram, dei um passo hesitante para fora, tentando assimilar o ambiente ao meu redor.
Estamos em um andar completamente diferente, quase oculto dentro dessa mansão opulenta. As paredes eram revestidas de um veludo escuro, e uma iluminação suave, em tons de vermelho e preto, conferia uma atmosfera densa e misteriosa ao local.
Meus olhos foram imediatamente atraídos para uma série de aparatos e móveis que jamais havia imaginado ver.
Havia cadeiras de madeira robusta com cintos e correntes presos aos braços, bancos acolchoados e estruturas de metal com correntes penduradas no teto, além de várias prateleiras repletas de acessórios de couro, máscaras, vendas, e outros itens que só depois de um instante compreendi serem relacionados a práticas de BDSM.
O chão era coberto por um tapete de textura espessa e escura, e o ar tinha um perfume forte, quase hipnótico, misturado com algo que transmitia um certo arrepio.
Sinto meu rosto corar enquanto olhava ao redor, tentando processar tudo aquilo. Era um mundo totalmente diferente, quase assustador, e me perguntei o que exatamente eles esperavam que eu fizesse ali?
Antes que pudesse questionar qualquer coisa, ouvi o som do elevador novamente. Quando as portas se abriram, Domenico surgiu, seu rosto sério e rígido, os olhos lançando um olhar furioso para Luca.
— Ela ainda não deveria ter sido trazida aqui — ele disse, a voz baixa, mas carregada de autoridade. — Ela não está pronta.
Eu não sabia o que dizer. Meus olhos estavam arregalados, a respiração acelerada, e sinto um misto de curiosidade e apreensão. Não sabia se deveria me defender ou simplesmente permanecer em silêncio.
Mas uma coisa era clara: estou no meio de algo muito maior do que havia imaginado ao assinar aquele contrato.

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