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Dominada Pelos Irmãos Beltron romance Capítulo 8

༺ Amara Wild ༻

Me sentei na cadeira com a postura mais digna que consegui manter, mesmo com o estômago apertado de nervosismo. Domenico me observou com esses olhos azuis intensos enquanto ele chamava a garçonete.

— Um cappuccino, sem leite. — Ele disse de forma direta e firme. Depois, olhou para mim. — E você? O que vai querer?

— Café preto está bom. — Respondi, tentando esconder o desconforto da situação.

Ele fez um aceno afirmativo, e a garçonete anotou os pedidos antes de sair.

Domenico recostou-se na cadeira, um sorriso travesso nos lábios. Eu, por outro lado, estava tensa, minha mente borbulhando com mil pensamentos conflitantes.

Ele parecia tão calmo, seguro, enquanto eu me sentia cada vez mais apertada dentro daquelas quatro paredes.

Então ele abriu uma pasta preta que estava sobre a mesa. Suas mãos, grandes e firmes, puxaram algumas folhas e as colocou à minha frente.

Olhei para as páginas grampeadas, a ponta dos meus dedos tremendo levemente enquanto as tocava.

— Aqui está tudo. — Disse com um tom de quem estava oferecendo algo valioso, como se estivesse me entregando um presente. — O contrato.

Engoli em seco e comecei a folhear as páginas com a mesma tensão que sentia em cada músculo do meu corpo. Quando a primeira página se abriu, pude ver logo o cabeçalho impresso em uma fonte elegante:

“Contrato de Submissão e Exclusividade”.

Congelei por um segundo, o nervosismo tomando conta de mim. Mas, sem dar chance para que eu fugisse daquela realidade, comecei a ler.

Na primeira cláusula, estava claro: eu deveria viver sob os cuidados deles, os quatro homens de quem ele falara, incluindo Domenico. O texto falava sobre alimentação, moradia e “diversão”, como eles chamaram, mas de uma forma tão fria e distorcida que meu estômago virou.

Eu teria que ser “disponível” para os quatro, sempre pronta para agradá-los, tanto emocional quanto fisicamente. Não importava a minha vontade, nem mesmo o meu direito de decidir sobre meu próprio corpo. Seria um objeto, uma parte de um jogo que eles queriam controlar.

E não era só isso. Havia algo ainda mais perturbador nas cláusulas seguintes. Em letras pequenas, que exigiram que eu me concentrasse mais, estava o que eles chamaram de “regras de convivência”.

Deveria vestir roupas específicas quando estivesse em sua presença, deveria se comportar como uma “boa mulher” e, principalmente, não poderia desobedecer a nenhum dos quatro homens sem enfrentar consequências severas.

Cada violação significaria uma punição, e essas punições… Engoli em seco, o peso delas parecia quase palpável. Eram descritas de forma vagamente sádica, e não consegui deixar de pensar no quão profundo e sombrio era o desejo de controle que eles queriam ter sobre mim.

O que mais me chocou foi a cláusula que falava sobre meu “compromisso sexual”. De forma explícita, eles descreviam como eu deveria estar disponível para todos eles, e o mais absurdo: eu não teria o direito de recusar nenhuma abordagem.

Tremia enquanto lia, cada palavra se tornando mais cruel, mais distante da minha ideia de liberdade. Meus olhos percorriam as frases, mas não conseguia encontrar uma saída.

Estava completamente em choque, incapaz de processar o que estava escrito diante de mim. O que eu estava lendo parecia um pesadelo, mas era real.

O preço que teria que pagar para sair das ruas. Era tudo o que tinha para garantir uma vida melhor… ou ao menos, uma vida diferente daquela de miséria e medo.

Domenico estava quieto, me observando com uma expressão de satisfação, como se esperasse uma resposta. O que ele não sabia era que, por dentro, estou lutando para não gritar de horror.

Não pela proposta em si, mas pela ideia de que essa poderia ser minha única chance de fugir da miséria. Cada cláusula parecia uma corrente invisível me aprisionando, e não sabia se seria capaz de me libertar delas mais tarde, caso aceitasse.

Tentei manter a calma, mas meu corpo estava tenso. Queria jogar aquelas páginas fora, gritar para ele que eu não era esse tipo de mulher, mas a realidade estava batendo na minha porta. A rua estava logo ali, e não sabia quanto mais eu conseguiria aguentar a vida que tinha.

Fechei os olhos por um momento, respirando fundo, e depois olhei para Domenico. Ele estava me esperando, que tomasse uma decisão.

E, por um instante, me perguntei o que ele viu em mim. Eu não era nada mais do que uma mulher sozinha e desesperada, e ele sabia disso muito bem.

— Então… — Ele falou, sua voz calma e cheia de expectativa. — O que você decide?

Respirei fundo, as palavras pesando em minha mente. O contrato era um pesadelo, mas a proposta de Domenico a única saída, por mais repulsiva que fosse.

Olhei para as folhas do contrato mais uma vez, tentando encontrar algum fio de esperança ou lógica ali, mas não havia nada. Só me restava tentar negociar alguma coisa que me desse mais controle da situação.

Se eu fosse aceitar isso, tinha que garantir que ao menos tivesse algo mais do que a promessa vazia deles.

— Posso até aceitar… — minha voz saiu baixa, mas firme. — Mas tem as minhas condições.

— Como você sabe que estou em um hotel? — Perguntei, sentindo uma pontada de desconfiança.

Ele não parecia nem um pouco incomodado com a pergunta, ao contrário, estava satisfeito em me dar a resposta.

— Pela sua aparência, Amara. Você está limpa. — Ele se inclinou para frente e disse com uma certa arrogância. — E, claro, mandei descobrir onde estava. Não sou tolo.

Levantei as sobrancelhas, surpresa, mas também incomodada com o controle absoluto que ele parecia ter sobre tudo.

— Você gosta realmente de estar no controle, não? — não pude deixar de perguntar, minha voz agora mais direta.

Ele sorriu novamente, um sorriso que não tinha nada de bom.

— Sempre. — Ele respondeu com firmeza, e depois se inclinou para trás, com um ar de superioridade que me incomodava ainda mais. — E você vai entender isso em breve, Amara.

Engoli em seco, tentando me concentrar no que estava acontecendo. Ele estava certo, em breve entenderia o que ele queria dizer.

Já estava nesse jogo, e não havia mais como sair. Tudo o que eu podia fazer era jogar as minhas cartas e ver onde isso me levaria.

Domenico se levantou, e o segui até a saída. Ele me levou de volta ao hotel, e, para minha surpresa, olhou para a atendente com um sorriso sutil, antes de pagar pela próxima semana. Ele estava pagando por mais tempo para mim.

— Uma semana a mais… — Ele disse para a atendente, enquanto colocava o dinheiro na mesa. — Isso será suficiente.

Olhei para ele, um pouco atordoada. Mas antes que pudesse dizer algo, ele passou a mão pelo meu queixo, me segurando por um momento. O gesto me fez congelar por um instante.

— Eu não vejo a hora de você ser nossa, Amara. — Ele disse, sua voz baixa e quase ameaçadora. — Tenho planos deliciosos para você.

Eu não soube o que responder. Tudo que queria era estar longe, longe de tudo isso.

Mas o que restava? Já tinha aceitado, garantidamente sua oferta. E agora, estou nas mãos dele e de seus irmãos.

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