༺ Domenico Beltron ༻
Entrei pela porta da mansão com um sorriso satisfeito, deixando claro que estou a um passo de conseguir o que queria. Enzo, no sofá, ergueu o olhar para mim com curiosidade e desconfiança.
— Não gosto dessa sua cara — ele comentou, estreitando os olhos.
Cruzei os braços e sorri ainda mais.
— Relaxa, Enzo. Estou conseguindo o que quero. Amara vai assinar o contrato.
Enzo arregalou os olhos, surpreso.
— Ela aceitou?
— Sim — confirmei, satisfeito. — Claro, ela colocou algumas condições, mas nada com o que eu não possa lidar.
Antes que Enzo tivesse a chance de responder, Luca e Pietro entraram na sala, atraídos pelo tom da nossa conversa.
— Não me diga que está falando daquela mulher, Domenico — Luca disse, com um tom sério. — Eu realmente não consigo entender o que você vê nela.
Pietro concordou, visivelmente incomodado.
— Isso é uma loucura, Domenico. Ela não é ninguém. É uma mendiga, por Deus! E agora, você quer que a gente aceite essa mulher aqui, como se fosse uma de nós?
Respirei fundo, esperando essa reação dos meus irmãos, mas mantive meu tom firme.
— Vocês estão enxergando só a superfície. Amara tem um potencial… interessante. Ela é forte, mesmo depois de tudo o que passou. Ninguém precisa saber de onde ela veio, e ela pode se adaptar à nossa forma de viver.
Luca balançou a cabeça, claramente incomodado.
— Domenico, você vai trazer essa garota para cá, fazer com que ela confie em você, e depois? Onde isso vai parar? Não estamos falando de um simples acordo. Ela pode acabar esperando muito mais disso.
Enzo riu, mas sem humor.
— Francamente, eu não esperava outra coisa de você, Domenico. Mas é uma loucura. Essa mulher não faz parte do nosso mundo.
Mantive o olhar firme, respondendo com tranquilidade.
— Sei o que estou fazendo, e noto que ela pode ser uma parte importante dos nossos planos.
Luca soltou uma risada sarcástica, mas seu tom era sério.
— Domenico, você realmente pensa que é uma boa ideia? Essa mulher vive na rua. A gente nem sabe o que ela pode ter. Eu não vou me arriscar a pegar alguma doença devido a uma ideia maluca sua. Não vou me envolver com ela intimamente.
Enzo balançou a cabeça, concordando com Luca.
— Luca tem razão. Trazer uma pessoa que vive nas ruas para cá, para a nossa casa… Isso não parece nada sensato, Domenico. Não sabemos que doença ela possui.
Pietro completou, com um olhar de reprovação.
— Você está cego por essa mulher, Domenico. Isso está indo longe demais. Não queremos ela, você vai se arriscar sozinho.
Revirei os olhos, já cansado da resistência deles.
— Escutem bem — comecei, com firmeza na voz. — Já pensei em tudo. Vamos fazer exames médicos e o necessário antes de qualquer coisa. Passaremos no hospital, em um dentista, onde for preciso. Ela vai receber todos os cuidados básicos.
Eles se entreolharam, surpresos, mas eu continuei.
— Se vocês não querem entrar nessa, tudo bem. Têm até um mês para decidir. Mas, se decidirem ficar de fora, eu não vou desistir. Vou ficar com ela, sozinho, se for necessário. Depois, não reclamem, porque ela será só minha.
Meu tom deixou claro que não aceitaria mais contestação. Finalizei, deixando escapar um sorriso frio.
Dou uma risada seca, agora realmente cansado de tanta preocupação.
— Não vai recusar, Pietro. Ela vai aceitar. E se isso não acontecer, não importa. Eu sempre consigo o que quero. Vou dar tempo para ela se acostumar com a ideia. Ela vai perceber que é a melhor escolha.
Se passou uma semana e, finalmente, aqui estou eu, no meu escritório, sentado com o advogado. Amara está prestes a assinar os documentos. Ela entra e, com uma calma que não esperava, vem até a mesa.
Seus olhos evitam os meus por um momento, mas ela logo se recompõe. Está com os papéis em mãos e percebo que a ideia de tomar esse último passo não parece mais tão assustadora para ela. Amara não sabe, mas a vida dela está prestes a mudar para sempre.
A casa que comprei para ela, uma modesta, mas confortável residência de dois quartos em um subúrbio de Nova Jersey, está ali, bem à sua frente. Não era grande coisa, mas era o suficiente para ela se acomodar, longe das ruas. E, claro, de tudo o que a manteve caída por tanto tempo.
Estendo o cartão com o vale-compras para ela. Um gesto simples, mas que marca mais uma oferta do que seguiria. O sorriso que ela me dá ao pegar o cartão é cauteloso, mas é um sorriso.
Não há mais aquela insegurança que ela carregava quando a encontrei pela primeira vez. Ela sabe que isso é um começo. E, de algum modo, esse começo está sendo moldado por mim.
Ela olha para o cartão e então para mim, ainda com um pouco de desconfiança nos olhos, e respiro fundo antes de falar:
— Está feito. Agora, só falta você assinar. — Coloco o contrato na frente dela, com a caneta em cima. — A sua parte está aqui. Agora, é com você.
Amara hesita por um momento, observando o contrato, e então começa a rubricar seu nome nas folhas. Cada assinatura é uma confirmação, uma entrega. Um passo a mais para ela se tornar realmente minha, no papel e na realidade.
A observo em silêncio, acompanhando cada movimento dela, até que ela tenha terminado. Olha para mim e, com uma expressão que mistura resignação e algo mais talvez aceitação, fala:
— Eu… já terminei.
Sorrio para ela, satisfeito com o que acabamos de selar, e respondo com firmeza:
— Agora, você faz a sua parte, Amara. E você vai ver que vai ser muito mais do que você imagina.
Ela somente acena, entendendo sua nova realidade. Agora é minha e não há mais volta.

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