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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 1087

— A Bia é minha filha. Claro que tinha que se parecer comigo.

— É verdade. — Concordou Henrique.

Tatiane desviou o olhar e, pouco depois, deitou-se na grama, acompanhando as nuvens brancas que mudavam lentamente de forma no céu.

Henrique continuou sentado ao lado dela.

Nenhum dos dois disse mais nada.

O único som vinha do vento correndo pela relva e agitando as folhas das árvores. Aos poucos, Tatiane sentiu a tensão dentro do peito se dissipar.

Nem percebeu quanto tempo havia passado quando acabou adormecendo ali mesmo.

Henrique baixou os olhos para ela.

A pele clara do rosto estava levemente corada pelo sol, com um tom rosado suave nas bochechas.

Talvez fosse apenas assim, enquanto dormia ao lado dele, que Tatiane conseguia baixar todas as defesas e parecer tão serena.

Quando despertou, a primeira coisa que viu foi um quarto que não reconheceu de imediato.

Sentou-se devagar e ficou alguns instantes apoiada na cabeceira, esperando o sono passar por completo. Depois, pegou o celular no criado-mudo e conferiu o horário.

Cinco e meia.

Tatiane se levantou.

Pouco depois, a porta se abriu e Henrique entrou.

Ao vê-la sentada na beirada da cama, disse:

— Acordou?

— Já está na hora de buscar a Bia.

Henrique assentiu.

— Não precisa se preocupar. Já avisei o professor Breno que vamos chegar um pouco mais tarde. Vai lavar o rosto primeiro.

Tatiane foi até o banheiro, lavou o rosto e se arrumou rapidamente.

Enquanto isso, Henrique pediu que preparassem alguma coisa para comerem no caminho.

Quando ela saiu do banheiro, ele fez um gesto em direção à porta.

— Vamos.

Henrique segurou sua mão, e os dois deixaram o haras.

Assim que entraram no carro, ele entregou a ela a sacola que carregava.

— Mandei prepararem um bolo. Come um pouco para enganar a fome.

Tatiane pegou a sacola. Por coincidência, seu estômago já começava a reclamar.

Na volta, Henrique acelerou um pouco mais. Cerca de quarenta minutos depois, chegaram à cidade e foram buscar Bia.

Depois de encontrarem a menina, Henrique ainda conversou por alguns minutos com o professor Breno, querendo saber principalmente como ela estava se saindo nas aulas.

A conversa não levou muito mais de dez minutos. Em seguida, despediram-se.

— Tchau, professor Breno.

Breno sorriu para a menina.

— Está bem.

Tatiane viu a filha entrar no quarto e permaneceu alguns segundos parada no corredor.

Depois, caminhou até a suíte principal.

Quase nada havia mudado ali.

Entrou no closet e abriu o armário. Tudo continuava praticamente como no dia em que fora embora.

Havia até uma fileira inteira de roupas ainda dentro das embalagens, peças que Henrique mandara preparar para ela naquela época.

Ele não tinha se desfeito de nada.

A maioria, porém, seguia o estilo que ela costumava usar para trabalhar: elegante, sóbrio e mais ajustado ao corpo.

Tatiane procurou por alguns instantes até encontrar um vestido longo bege, com detalhes em azul-ultramarino. A peça vinha com um cinto na cintura, mas, deixando-o solto, o tecido caía com naturalidade sobre seu corpo.

No banheiro, ela preferiu não tomar banho.

Molhou uma toalha em água morna, torceu bem e passou pelo corpo para se limpar.

Quando terminou, parou diante do espelho e virou-se ligeiramente de lado, observando o próprio ventre.

A barriga mostrava apenas uma curva discreta, parecida com a de alguém que tinha acabado de comer um pouco além da conta.

Tatiane pousou a mão sobre o baixo-ventre.

A gravidez ainda mal deixava sinais visíveis.

Para qualquer pessoa que a visse, seria impossível imaginar que ela estava esperando um bebê.

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