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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 1110

Lourenço sustentou o olhar de Leandro, fitando os olhos escuros e profundos por trás das lentes. Sua voz continuou serena, quase indiferente.

— Não precisa me tratar como inimigo, Leandro. Nós não somos adversários. Deixei Tatiane aos cuidados de pessoas da minha confiança, então ela não corre perigo. Henrique levou alguém que estava comigo, e eu levei Tatiane. Acho uma troca bem justa, não acha?

Leandro não demonstrou qualquer reação.

— O que existe entre vocês não me interessa. Só espero que o chefe da família Ramos seja realmente capaz de garantir que Tati saia dessa ilesa.

Um leve sorriso curvou os lábios de Lourenço.

— Com toda essa dedicação, seria uma pena se seus sentimentos fossem desperdiçados. Já que não confia em mim, pode ir cuidar dela pessoalmente. Afinal, ela está grávida. Também não quero que nada aconteça com ela. Isso não me traria vantagem nenhuma.

Fez uma pequena pausa antes de acrescentar, como quem comentava algo sem importância:

— Mas, pelo visto, Henrique ainda não sabe da gravidez. Se ela nem contou a ele, talvez, no fundo, não esteja tão decidida assim a ficar com Henrique.

O semblante de Leandro se fechou ainda mais.

Pouco depois, Lourenço recebeu uma ligação da residência da família Ramos e deixou o Residencial Jardim Imperial.

Sozinho no quarto, Leandro pegou a xícara e tomou um gole de chá.

Baixou os olhos para a bebida, deixando o silêncio esconder tudo o que passava por sua cabeça.

Na residência da família Ramos, a noite havia mergulhado toda a propriedade em um silêncio pesado, quase fúnebre.

Apenas a mansão principal continuava iluminada.

O senhor Aureliano tivera dois filhos e uma filha.

O mais velho, pai de Lourenço e Nadja, e a esposa haviam morrido juntos em um acidente anos atrás.

O segundo adoecera gravemente ainda jovem e, por causa da doença, perdera a capacidade de ter filhos. A esposa permanecera ao lado dele durante todos aqueles anos, sem nunca abandoná-lo.

Mais tarde, o casal adotou um menino de um ramo colateral da família e o criou como filho. Ao chegar à idade adulta, porém, o rapaz passou a cobiçar o direito de sucessão da família Ramos. Dominado pela ambição, aliou-se aos pais biológicos numa tentativa de tirar o poder das mãos de Lourenço.

Lourenço não demonstrou a menor piedade.

Destruiu os planos deles e mandou o filho adotivo direto para a prisão.

Depois disso, o casal ficou profundamente abalado e perdeu de vez o interesse pelas disputas internas da família Ramos.

A filha mais nova de Aureliano, por sua vez, havia se casado e se mudado para o exterior com a família do marido.

Assim, naquele momento, era Lourenço quem detinha o controle de toda a família Ramos.

O verdadeiro problema estava nos inúmeros ramos colaterais, muitos deles prósperos e influentes. Havia quem acompanhasse cada movimento de Lourenço, à espera da menor brecha para agir. Ao longo dos anos, essas pessoas também haviam construído uma sólida rede de interesses dentro da própria família.

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