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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 1114

Ao ouvir Roberto, Natália se sentiu ainda mais culpada e inquieta.

Então não havia mesmo nada que pudesse fazer?

O pior era que nem sabia por onde começar. Tinha medo de tentar ajudar e acabar piorando ainda mais a situação.

No fim, só conseguiu dizer:

— Beto... Me desculpa mesmo.

A resposta de Roberto veio firme, mas paciente.

— Natália, pare de se culpar. Ninguém está culpando você, então não faça isso consigo mesma.

Havia algo reconfortante em sua voz, um calor que parecia atravessar o telefone e alcançá-la do outro lado da linha.

O coração de Natália vacilou.

Seus olhos começaram a arder.

— Hum...

Foi tudo o que conseguiu responder.

Não se atreveu a dizer mais nada. Bastava abrir a boca para correr o risco de a voz falhar.

— Fique tranquila aí. Faça companhia para a Bia e espere a Tati voltar. É só isso que você precisa fazer agora.

Natália apertou os dedos, tentando manter as emoções sob controle.

— Tá bom.

— E descanse direito esta noite. Não fique pensando demais.

— Eu sei. Beto, você também precisa se cuidar.

Depois que a ligação terminou, Natália fechou a tela de discagem.

Aos poucos, a inquietação em seu peito finalmente começou a ceder.

Nos três dias seguintes, a família Ramos passou pela maior transformação de sua história.

As medidas adotadas por Lourenço tinham um objetivo muito claro: desmantelar, de dentro para fora, a influência que os ramos colaterais haviam acumulado ao longo dos anos.

Ele vinha se preparando para aquilo havia muito tempo, colocando pessoas de sua confiança em posições estratégicas e fortalecendo-as pouco a pouco dentro da estrutura da família.

Agora, seu grupo já tinha força suficiente para se sustentar.

Sempre que alguém fosse afastado ou surgisse alguma brecha, havia uma pessoa pronta para assumir o lugar.

Dessa forma, Lourenço eliminaria, uma a uma, as forças capazes de mantê-lo sob controle.

Naturalmente, os interesses afetados não se limitavam aos ramos colaterais da família Ramos.

Outras famílias também faziam parte daquela rede de alianças e benefícios. Com seus interesses ameaçados, todos começaram a buscar formas de reagir, tentando reunir forças suficientes para pressionar Lourenço.

Estevão voltou a procurar Henrique, mas não conseguiu falar diretamente com ele.

Sem alternativa, entrou em contato com Pedro.

Pouco depois, Pedro apareceu no escritório de Henrique para entregar alguns documentos.

Apesar de tudo o que Lourenço vinha fazendo, Henrique não demonstrava a menor reação.

Sua rotina permanecia exatamente a mesma, como se toda aquela movimentação não tivesse qualquer relação com ele.

Depois de entregar os documentos e terminar o relatório de trabalho, Pedro acrescentou:

— O presidente Estevão entrou em contato comigo. Gostaria de convidá-lo para jantar esta noite.

A gravação tinha pouco mais de dez segundos.

Foi o bastante.

Henrique percebeu imediatamente que havia alguma coisa errada.

O olhar de Tatiane estava vazio, sem vida.

Ele conhecia bem demais o temperamento dela. Se estivesse sendo mantida ali contra a própria vontade, sob vigilância, jamais ficaria sentada daquele jeito, comendo em absoluto silêncio, sem demonstrar irritação, resistência ou qualquer outra emoção.

Henrique fechou o vídeo e ligou imediatamente para Lourenço.

A chamada foi recusada no mesmo instante.

Seu semblante se fechou.

Ele largou o celular sobre a mesa e começou a bater os dedos lentamente no tampo, enquanto uma frieza cada vez mais intensa se instalava em seu rosto.

Pouco depois, pegou o aparelho outra vez e enviou uma mensagem.

[Lourenço, você realmente acha que eu não tenho coragem de fazer nada?]

A mensagem foi entregue.

Nenhuma resposta veio.

Naquela noite, Henrique foi ao encontro de Estevão.

Assim que o viu, Estevão percebeu que havia algo diferente nele.

Serviu-lhe vinho pessoalmente e abriu um sorriso cauteloso, quase bajulador.

— Sr. Henrique, é uma honra que tenha aceitado meu convite esta noite.

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