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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 294

Tatiane ligou para Heitor e deixou tudo do trabalho devidamente encaminhado.

Depois, levou Bia direto para a casa da família Oliveira.

Durante todo o trajeto, tentou distrair a menina com conversa, mas Bia continuava emburrada, de carinha fechada. Depois de resmungar por um tempo, acabou dizendo, magoada:

— Eu não sou uma criança sem mãe... Agora eu tenho a tia Evelyn. Tia Evelyn, você pode ser minha mãe?

Ao ouvir aquele pedido saindo da boca da própria filha, Tatiane sentiu o coração se apertar de um jeito quase insuportável. O nariz ardeu, e os olhos se encheram d’água antes que ela pudesse se conter.

Por um instante, teve um impulso quase irresistível de contar tudo.

De dizer que era, sim, a mãe dela.

Que Bia não era uma criança sem mãe.

E que, desde o começo, nunca a tinha abandonado.

Mas, no fim, se conteve.

Quando chegaram à casa dos Oliveira, Mônica e Marcos viram Tatiane entrando com Bia nos braços. Assim que notaram o abatimento da menina, aquele jeitinho murcho e sem energia, os dois ficaram aflitos.

Mônica perguntou, preocupada:

— O que aconteceu com a Bia? Por que ela está assim, tão tristinha?

Ainda com a menina no colo, Tatiane respondeu:

— Pai, mãe... Vou levar a Bia lá para cima primeiro.

Os dois não insistiram.

— Está bem. Vai lá. Deixa ela descansar um pouco.

Como Bia passava bastante tempo ali, o quarto de Tatiane já tinha várias coisinhas de uso diário da menina, além do coelho de pelúcia de que ela mais gostava.

Tatiane ficou no quarto com Bia, fazendo carinho, falando baixinho e tentando acalmá-la, até conseguir fazê-la dormir um pouco.

Depois que Bia adormeceu, Tatiane se deitou ao lado dela e a puxou para os braços, apertando aquele corpinho pequeno contra o peito.

Dentro dela, só havia culpa. Uma culpa funda, sufocante, difícil de suportar.

Ela abaixou a cabeça e beijou a testa da menina. Quando falou, a voz saiu rouca:

— Me perdoa, meu amor... A culpa é da mamãe. Eu amo muito você.

Tatiane ficou ali, abraçada a Bia, e acabou pegando no sono também.

Quando acordou, a menina ainda dormia profundamente.

Sem coragem de despertá-la, Tatiane afastou o cobertor com cuidado, saiu da cama em silêncio e desceu.

Mônica e Marcos estavam na sala, assistindo televisão.

Bia ficou brincando com o tio caçula. Ele parecia adorar a sobrinha e ria sem parar, feliz da vida de tê-la por perto.

Contagiada pela alegria dele, Bia também caiu na risada.

Quanto mais Marcos olhava para a neta, mais gostava dela. Ainda assim, no fundo, não conseguia deixar de suspirar.

Baixando a voz, ele perguntou:

— Como está a questão do seu divórcio com o Henrique?

— Pelo jeito, isso ainda vai demorar para se resolver. — Respondeu Tatiane.

O advogado Augusto tinha dito que a audiência aconteceria no fim do mês, mas, pela situação atual, era óbvio que a decisão não sairia com tanta facilidade.

A expressão de Marcos se fechou na mesma hora.

Bia era uma boa menina. E, acima de tudo, inocente.

Mesmo assim, ele não queria ver a filha continuar presa àquele casamento doloroso.

Um homem frio como Henrique jamais conseguiria dar a Tatiane uma vida tranquila. E um lar assim, para uma criança, só deixaria marcas ainda mais profundas. Desde que os dois amassem Bia de verdade, isso já bastava.

Marcos então disse:

— Já que ele quer arrastar isso, Tati, não se consuma com essa história. Nem deixe que isso tome conta da sua vida. O mais importante agora é seguir em frente e ficar mais perto da Bia.

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