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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 552

Ela apertou o celular entre os dedos.

— Henrique, não se entregue tanto a essa encenação.

Henrique saiu da banheira e caminhou descalço até a pia. Sobre a bancada, um vaso elegante exibia rosas vermelhas recém-cortadas.

Ele passou os dedos pelas pétalas. A água ainda escorria de sua pele e pingou sobre uma das flores. Henrique a pegou, girou-a devagar entre os dedos, os olhos escuros velados por uma névoa discreta. Então sorriu.

— Se eu não me entregar, como vou descobrir o que realmente quero?

Tatiane ficou alguns segundos em silêncio.

— E o que você quer?

— Você.

A voz dele veio baixa, carregada de desejo.

A resposta atingiu Tatiane como uma corrente elétrica. Cada nervo de seu corpo pareceu se contrair.

Ela ficou calada por um instante. Depois, disse:

— Então sugiro que tire essa ideia da cabeça o quanto antes. Se está tão carente assim, procure outra mulher.

— Agora, só consigo pensar em você.

Ele falava cada vez mais sem rodeios. Quase parecia uma declaração.

Tatiane soltou uma risada curta.

— Ah, é? Já que gosta tanto assim de mim, fiquei curiosa. Quando foi que começou?

— Não sei dizer exatamente. O que importa é que, agora, só existe você. — Respondeu Henrique.

— Dizendo esse tipo de coisa para mim, não tem medo de que eu aproveite para me vingar? Posso fazer você se apaixonar por mim e depois nunca deixar que me tenha.

— Se você quiser se vingar, é justo. — Ele disse aquilo com uma naturalidade quase indiferente. — Faça o que quiser comigo. Só não machuque a nossa filha, aconteça o que acontecer.

Tatiane apertou o celular com mais força, soltou uma risada baixa e fria, e desligou.

Henrique ouviu o sinal da chamada encerrada. Baixou o celular, olhou para a tela e acabou rindo de leve. Depois deixou o aparelho de lado.

Seu olhar voltou para a rosa em sua mão.

No instante seguinte, seus dedos se fecharam, esmagando as pétalas.

Tatiane permaneceu sentada no sofá, o olhar escuro e distante. Ninguém saberia dizer o que se passava em sua cabeça.

— Mamãe.

O barulho de motor que ela ouvira pouco antes, vindo de fora da janela, era mesmo dele.

Henrique realmente fazia o que dizia.

— Vou dormir.

— Então eu entro para procurar você. Está frio lá fora. Melhor eu não fazer você sair. São só alguns minutos.

Poucos minutos depois, Tatiane saiu pela porta principal da casa.

Ao vê-la, Henrique abriu a porta do carro e desceu, vindo em sua direção a passos largos.

Ele usava um sobretudo preto. O vento frio bagunçava seus cabelos curtos enquanto caminhava contra a luz, a sombra alongada pelo brilho dos postes.

Tatiane o observou em silêncio, com uma calma quase indiferente.

O homem que, uma hora antes, praticamente havia se declarado pelo telefone, agora estava ali, diante dela.

Henrique se aproximou sem hesitar. Antes que Tatiane pudesse reagir, abriu os braços e a puxou para junto de si, apertando-a contra o peito.

Tatiane não resistiu. Apenas deixou que ele a abraçasse.

Sob a luz fria, não havia a menor emoção no fundo de seus olhos.

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