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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 686

Henrique se levantou e foi até Tatiane com passos firmes. Passou por Leandro sem lhe dar atenção e parou diante dela.

— Vamos voltar.

Enquanto falava, estendeu a mão com naturalidade, tomou a dela e a fechou entre os dedos. Só então virou o rosto para Leandro.

— Senhor Leandro, nós já vamos.

Leandro encarou Henrique. Por alguns segundos, a tensão entre os dois pareceu tornar o ar mais pesado.

Henrique saiu do saguão levando Tatiane pela mão e entrou com ela no carro.

O veículo deixou o prédio devagar e logo se misturou ao movimento da avenida principal.

Henrique dirigia com os olhos fixos à frente quando perguntou:

— O que você pretende fazer?

Tatiane respondeu sem hesitar:

— Não pretendo ir embora.

A expressão impecável de Henrique não se alterou. Sua voz continuou calma, sem denunciar qualquer emoção.

— Então, se quer ficar, fique.

Diante daquele tom, Tatiane preferiu se calar. Também não tinha intenção de contar a ele quais seriam seus próximos passos.

Felipe queria fechar uma parceria com a Alvorada Investimentos, mas, dali em diante, tudo seria conduzido nos bastidores, longe da exposição pública. Ainda assim, conhecendo a perspicácia de Henrique, era impossível que ele não tivesse percebido nada. Por enquanto, porém, ele não parecia disposto a se mover.

Afinal, por que Felipe teria procurado Leandro sem passar por Henrique para propor uma colaboração?

Será que os dois estavam se afastando?

Mesmo que fosse isso, pela relação que tinham, dificilmente chegariam a um conflito de verdade.

Tatiane não conseguiu chegar a uma conclusão. De todo modo, o professor certamente sabia o que estava fazendo. Ela não precisava se preocupar demais com aquilo.

Quando chegaram ao Residencial Aurora, já era quase dez da noite.

Henrique foi direto para o escritório.

Naquela noite, Bia dormia na suíte principal. Tatiane abriu a porta com cuidado e entrou sem fazer barulho. A luz morna continuava acesa, e a menina dormia tranquila no centro da cama grande.

Tatiane se aproximou. Ao ver a filha daquele jeito, tão pequena, doce e sossegada, sentiu o coração amolecer.

Sentou-se na beirada da cama e ficou olhando para ela por algum tempo. Depois puxou a coberta até ajeitá-la melhor sobre o corpinho da menina, levantou-se e foi ao closet pegar um pijama limpo.

— Meu amor, acordou?

Bia bocejou e chamou, ainda sonolenta:

— Mamãe.

— Hora de se levantar.

Manhosa, Bia estendeu os bracinhos, pedindo colo.

Tatiane a pegou e a acomodou contra si, sustentando-a pelas perninhas. A menina se largou no ombro da mãe, ainda preguiçosa.

Depois de ficar um pouco com ela daquele jeito, Tatiane ajudou Bia a se lavar e a trocar de roupa. Em seguida, segurou a mão da filha e saiu do quarto, descendo as escadas com ela.

Na sala de estar, Henrique estava recostado no sofá, folheando o jornal.

Foi então que Tatiane notou outra pessoa ali.

Era uma moça de vestido azul comprido, com um avental por cima. Trazia parte dos cabelos longos presos e segurava uma xícara de café. Aproximou-se de Henrique e a ofereceu com cuidado.

— Senhor Henrique, experimente o café que eu preparei.

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