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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 901

Lourenço tinha feições marcantes, de contornos firmes. O olhar, profundo e indecifrável, carregava uma frieza perigosa. A pulseira de contas budistas presa ao pulso apenas reforçava a austeridade de sua presença.

Ele permanecia imóvel, sem demonstrar qualquer emoção. Ainda assim, bastava estar ali para deixar todos ao redor sob uma pressão sufocante.

Tatiane o reconheceu de imediato.

Já o tinha visto antes, em uma festa particular organizada por Gilberto.

Lourenço passou os olhos por ela e se concentrou na mulher sentada de cabeça baixa, tremendo sem conseguir se controlar.

Avançou alguns passos.

— Natália.

Ela não teve coragem de encará-lo, mas tampouco ousou ignorá-lo.

— Irmão...

— Vamos para casa.

A voz grave de Lourenço não foi alta, porém carregava uma autoridade que não deixava espaço para discussão.

Natália, no entanto, continuou sentada. Em vez de se levantar, apertou ainda mais a mão de Tatiane.

Lourenço franziu levemente a testa.

Mesmo sem olhar para ele, Natália percebeu a impaciência contida naquele silêncio e voltou a estremecer.

Roberto se adiantou.

— Senhor Lourenço, já que ela não quer ir com o senhor, talvez seja melhor voltar. Nadja virá buscar a senhorita Natália. Foi ela quem a deixou sob meus cuidados, então preciso esperar que venha buscá-la pessoalmente.

Lourenço voltou a atenção para Roberto.

— Nesse caso, Beto, ligue para ela agora.

O tom permaneceu calmo, mas a tensão na sala se intensificou.

Roberto sustentou o olhar dele sem se intimidar.

Sem insistir, Lourenço tirou o celular do bolso e ligou para Nadja. O telefone tocou até a chamada cair, sem que ela atendesse.

Ele não tentou uma segunda vez. Guardou o aparelho e tornou a olhar para Natália.

— Natália, venha comigo para casa.

Ela continuava agarrada à mão de Tatiane, com a cabeça baixa e o olhar vazio, como se nem sequer enxergasse o que havia diante de si.

Só depois de alguns segundos conseguiu falar.

— Eu... Eu quero esperar pela minha irmã.

As poucas palavras pareceram consumir toda a força que ainda lhe restava.

Tatiane percebeu a rigidez que tomou conta do rosto de Lourenço e interveio com cautela:

— Senhor Lourenço, talvez seja melhor deixar a senhorita Natália aqui por enquanto. Ela precisa de um pouco de tempo para se recuperar. Há pessoas que podem cuidar dela, então não precisa se preocupar.

Lourenço a encarou em silêncio.

A pressão no ambiente se tornou quase insuportável.

Dessa vez, Nadja atendeu quase imediatamente.

— Meu irmão já foi embora? E a Natália?

— Ela ainda está aqui comigo. Vou esperar você vir buscá-la.

Nadja entendeu o recado e soltou um suspiro de alívio.

— Obrigada, Beto. Estou indo para o aeroporto agora. Preciso viajar para Alto Paraíso. Assim que voltar, passo aí para buscar a Natália.

Roberto não pediu explicações.

— Desculpe envolver você nisso, Beto. Sinto muito mesmo.

Roberto fazia parte da família Barbosa, e seu avô, Marcelo, era uma figura de grande influência. Enquanto Natália estivesse sob sua proteção, Lourenço teria de agir com certa cautela.

Foi justamente por isso que Nadja tivera coragem de tirar a irmã do hospital e confiá-la aos cuidados de Roberto por algum tempo.

— Não se preocupe.

Enquanto isso, em um apartamento luxuoso em Nova York, o relógio marcava quatro e meia da madrugada.

Henrique despertou com o toque do celular. Ainda sonolento, estendeu a mão, pegou o aparelho e, ao reconhecer o nome na tela, atendeu.

Antes que a pessoa do outro lado pudesse dizer qualquer coisa, disparou:

— Da próxima vez, olhe a hora antes de me ligar.

A irritação em sua voz era impossível de disfarçar.

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