A vida dela havia sido arrastada à força para o centro desse turbilhão, sendo completamente arruinada pelos rancores e vinganças de terceiros.
Sem saber de nada, tornou-se o dano colateral durante todos esses anos.
Valentina permaneceu ali por um bom tempo antes de ir embora.
No trajeto de volta, recebeu uma mensagem de Tadeu no celular.
[Tia Valentina, já terminamos de montar. A senhora quer vir ver?]
Após um instante de contemplação, ela digitou sua resposta:
[Claro, Tadeu.]
Ao chegar à mansão, o mordomo Alfredo pareceu preocupado. Ele possivelmente queria perguntar sobre o estado de Cícero, mas engoliu em seco, recuando as palavras na garganta.
Tadeu estava adorável como sempre. As bochechas coradas enquanto tomava a coragem de segurar a mão dela e conduzi-la ao quarto.
— Tia Valentina, me ajuda a decidir onde colocar a casinha...
Era a primeira vez que ela entrava nos aposentos de Tadeu.
Decorado em tons frios de cinza, o ambiente não parecia um quarto de criança. Mas na escrivaninha e nas prateleiras havia cadernos escolares, e as prateleiras inferiores ostentavam livros infantis de histórias cujas lombadas já estavam gastas de tanto manuseio.
Em cima da mesa, dentro do porta-lápis, jazia um prendedor de cabelo cor-de-rosa, algo completamente destoante de sua personalidade madura.
E sobre o abajur, havia uma miniatura de O Pequeno Príncipe — o mesmo que Valentina lhe dera de presente outrora.
Aquele era o refúgio onde Tadeu crescia...
Baixando levemente os olhos, Valentina observou o brinquedo finalizado na mesa e, com os lábios curvados em um sorriso gentil, murmurou:
— Ficou lindo, Tadeu.
O menino irradiava energia, seus olhos brilhavam intensamente:
— Vou buscar a proteção contra poeira na sala!
Tadeu correu como uma flechada, e ela ainda pôde ouvi-lo gritando pelo mordomo nos corredores:
— Vovô Alfredo! Onde estão as minhas caixas?!
Ele corria rápido, receoso de deixá-la esperando muito tempo no quarto.
— Vá devagar, Tadeu! Não corra!
— Tá booom —
Ela se virou, após ouvir a resposta distante dele, para voltar a procurar um bom lugar para a miniatura.
O parapeito da janela parecia perfeito.
Ao ficar na ponta dos pés para colocá-lo lá, sua mão acidentalmente esbarrou no boneco d'O Pequeno Príncipe, que despencou rolando para o chão.


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