Aquele pedaço do chão estava impecável.
Não havia qualquer vestígio.
Era como se ninguém tivesse passado a noite inteira ajoelhado ali.
No fundo, ajoelhar-se não servia de nada.
Bastou limpar e levantar para que tudo desaparecesse. Valentina desviou o olhar, segurando a mão de Tadeu com uma das mãos, enquanto a outra era agarrada por Isaura.
Cícero foi levado às pressas para a emergência do hospital, mas não tinha a menor intenção de tratar a perna.
Hugo estava prestes a explodir de desespero:
— Senhor... Como o senhor pode se recusar a tratar? Se não cuidar disso, sua perna ficará arruinada!
Gualter continuava destilando seu cinismo:
— Você ainda não percebeu? O seu chefe está torcendo para que a perna apodreça de vez.
Como o próprio paciente abriu mão do tratamento, a equipe médica só pôde seguir os protocolos, exigindo que ele assinasse os termos de responsabilidade antes de realizar a desinfecção e estancar o sangramento.
O ferimento na coxa havia causado uma perda significativa de sangue, deixando o rosto de Cícero com uma palidez doentia.
Mas era apenas uma perna.
Talvez houvesse lugares doendo muito mais.
Gualter olhou para ele e logo deduziu o que ele andara fazendo na noite anterior. Afinal, a única pessoa capaz de causar tanta dor a Cícero a ponto de fazê-lo mutilar a si mesmo era Valentina.
— Está doendo? Se não estiver, posso te contar algo para doer de verdade.
— O Hugo não teve coragem de te dizer antes por medo de você sofrer, mas eu acho que você precisa saber. Você merece sofrer, e me incomoda ver que não está doendo o suficiente.
Hugo entrou em pânico ao ouvir aquilo:
— Sr. Gualter...
— O quê? Acha que ele se importa com um pouco de dor? Ele até comeria pipoca enquanto escuta. — Gualter abriu um sorriso gélido. — Aposto que você não sabe, mas a Valentina foi para Londres anteontem.


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