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Ele Disse Que Se Arrependeu romance Capítulo 293

No mesmo instante, era manhã em Londres.

Os ferimentos no braço de Luciano estavam sendo limpos e reenfaixados. O estado não era dos melhores, e a área infeccionada apresentava muita secreção.

Por ser considerado apenas um parente distante, as reportagens sequer mencionavam seu nome, referindo-se a ele apenas por um pseudônimo familiar.

O secretário de Isaías Prado estava de pé ao lado dele, falando com um tom robótico:

— O senhor precisa se recuperar o mais rápido possível. Estamos em um período crucial, não podemos parar.

A equipe médica ouviu aquilo com absoluto choque; era o mesmo que exigir que um amputado fizesse o membro crescer de volta por pura força de vontade.

Luciano manteve a expressão impassível, respondendo com frieza:

— Eu já sei.

Sávio acabara de voltar da escola, vestindo um uniforme de estilo britânico que parecia largo demais em seu corpo. Seus olhos estavam vermelhos e inchados.

Sabrina estava sentada ao lado dele.

— Pare de chorar.

Ignorando-a, o garoto continuou a derramar lágrimas.

— Você não escutou o que eu disse? — As sobrancelhas delineadas de Sabrina se franziram levemente, e uma impaciência sutil surgiu em seu belo rosto, seguida de um estalo de língua. — Que menino impossível, toda vez que nos vemos é esse chororô.

Fungando, Sávio continuou a chorar.

Ele não estava acostumado. Não conseguia se habituar a nada daquilo.

Não gostava da escola, não sabia lidar com os colegas, odiava aquele casarão frio e detestava a comida de lá.

Em tão pouco tempo, Sávio já havia perdido vários quilos. O queixo, antes arredondado, agora exibia ângulos mais definidos, revelando uma semelhança inegável com os traços de Luciano. A única coisa que permanecia igual era o som de seu choro, que ainda lembrava o de um leitãozinho soluçando.

— A perna da minha mãe já melhorou, será que meu pai vai ficar sem um braço pra sempre...?

Ao ouvir aquilo, Sabrina deu um riso fraco.

— Sua mãe? Sua mãe já morreu, Sávio.

— Se você está falando da Valentina — ela virou o rosto para encará-lo, sem se importar com a fragilidade do coração infantil —, se ela realmente se importasse com você, já teria vindo te ver. Mas até agora, nada. Você ainda não entendeu o que isso significa?

Sávio não respondeu, apenas redobrou o choro.

Aquele som deu dor de cabeça em Sabrina. Com um suspiro, pegou um lenço de seda e secou as lágrimas dele:

— Chega, está bem? Você já é um garoto crescido, pare de chorar. É vergonhoso.

Como Luciano havia assumido a posição que antes pertencia a Fausto Prado, o humor de Sabrina estava melhor, o que a fazia ter um pouco mais de tolerância com o menino.

Não demorou muito para Uiara chegar. Assim que a viu, Sávio virou o rosto para a parede.

— Sávio, a titia trouxe coisas deliciosas para você. Vai se arrepender se não comer.

Ela colocou a garrafa térmica sobre a mesa, mas o garoto a ignorou completamente, oferecendo-lhe apenas as bochechas que ainda guardavam um pouco da antiga redondeza.

Uiara não pareceu se importar.

— Senhora, pode deixar que eu faço companhia ao William. Vá para casa descansar.

Sabrina gostava bastante de Uiara. A jovem era direta, falava o que pensava, e a matriarca via ali uma chance de aproximar os dois. Sem hesitar, concordou com um tom suave:

— É uma boa ideia. Obrigada pelo esforço.

Antes de sair, no entanto, acariciou a cabeça de Sávio e, pela primeira vez, fez um alerta sincero e sussurrado para o garoto.

— Sávio, não seja teimoso como o seu pai. Ser cabeça-dura não leva a nada. As coisas são como devem ser, e ela inevitavelmente se tornará sua mãe no futuro. Você precisa aprender a ler a situação, entendeu?

Notando que ele continuava a ajeitar a gravata sem o menor interesse em ouvir, Uiara prosseguiu:

— William, eu achei que você já tivesse aceitado o seu destino. Por que você continua sendo tão teimoso? Não consegue ficar quieto? Nossas famílias precisam de apoio mútuo, e um casamento é o melhor elo. Mesmo que você recuse, é algo que vai acontecer de um jeito ou de outro.

— Eu posso amarrar esse nó perfeitamente bem sem a necessidade desse elo — rebateu Luciano.

— É isso que você acha. Mas e o que o seu pai pensa?

Uiara cruzou os braços e soltou um suspiro lento e dramático.

— Vou ser sincera com você. Na verdade, ele sabe da existência da médica. Só está com preguiça de sujar as mãos. A única condição para ele não intervir é que essa mulher não seja um obstáculo para você.

— Você acha mesmo que, evitando o casamento, vai conseguir se manter puro e casto por ela o resto da vida? — Uiara riu, os olhos cravados no anel que ele ainda usava. — Vejo que é exatamente isso que está pensando. Você é incrivelmente obstinado e estúpido. Aquela médica é muito mais lúcida que você.

Foi como se uma corda houvesse sido puxada dentro dele. Luciano virou o rosto para encará-la em um silêncio cortante.

Uiara confessou:

— Eu fui procurá-la.

— A primeira coisa que eu disse quando a vi foi que eu não estava ali para roubá-lo dela, mas para salvá-la.

Antes de deixar a Cidade Y, Uiara havia visitado Valentina.

Foi a mando de Isaías Prado.

A lógica da situação era cristalina. O patriarca jamais permitiria que seu filho, mesmo sendo ilegítimo, se enfiasse em um buraco incontrolável e ficasse se arrastando por uma mulher casada. Uiara sabia disso, e a médica também compreendia a gravidade.

O único que não entendia, ou se recusava a entender, era Luciano.

A ordem dada pelo pai dele fora clara: se Uiara não conseguisse trazer Luciano de volta para seus deveres, ela não precisaria mais voltar para a família.

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