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Ele Disse Que Se Arrependeu romance Capítulo 296

Cícero não aceitou os vegetais, mas o senhor insistiu, empurrando-os para as mãos dele:

— Leve, leve. Vocês, jovens, precisam aprender a economizar. Como vai justificar para a família que gastou tanto dinheiro no mercado e voltou de mãos vazias?

E assim, Cícero se viu segurando dois repolhos. Quando levantou a cabeça, Valentina já havia desaparecido.

Sua expressão era indecifrável.

Mas, na esquina seguinte, lá estava ela.

Valentina estava parada em silêncio. Seus cabelos curtos moviam-se com o vento e ela o encarava fixamente.

Cícero congelou no lugar.

— Eu já deixei claro para você ficar longe de mim — disse Valentina. — Se você consegue entender o que um ser humano fala, devia saber o que a palavra "longe" significa.

Independentemente do que ela dissesse, ele não abriu a boca. Apenas a observou em profundo silêncio.

Ela parou de falar por um instante, examinou seu rosto e em seguida a perna prejudicada, disparando palavras afiadas como navalhas:

— O que foi? Perdeu a perna e ficou surdo também?

Cícero continuava focado nela.

Ele a encarou longamente antes de finalmente responder:

— Não.

O tom era monocórdico, e não havia sinal de emoção em seu rosto.

— Valentina.

Ele apenas chamou seu nome, como num suspiro inesperado.

O rosto dela não vacilou; ela apenas o fitou de volta.

Ao que tudo indicava, não restava mais o mínimo de sentimento no peito dela por ele. Ou, melhor dizendo, qualquer resquício de amor já havia sido incinerado há muito tempo.

Cícero calou-se por uma eternidade.

— Me desculpe.

Aquele "desculpe" não tinha peso ou sentido ali; chegava a ser ridículo. Sem saber ao certo o que ele tentava com aquilo, Valentina franziu o cenho.

Antes que ela pudesse retrucar, a voz dele cortou o ar novamente.

— Eu gostaria de ver o Tadeu.

Valentina permaneceu imóvel por um instante:

— O Tadeu é seu filho, registrado no seu nome. Eu estou apenas com a guarda temporária. Além disso, não tenho o direito de decidir por ele. Ele já tem oito anos, é grande o bastante para aceitar ou recusar vê-lo.

Ela deu as costas para ir embora, mas Cícero tentou chamá-la de novo.

— Valentina.

Desta vez, ela não olhou para trás. Não interrompeu os passos, tampouco via motivos para ficar e ouvi-lo.

Portanto, não se importava com o tempo que o homem ficaria ali, estático, observando suas costas se afastarem.

Ao retornar para a vila, Tadeu já havia voltado da escola. A mochila repousava arrumadinha no móvel, e ele estava sentado no sofá, aguardando.

Enquanto Valentina calçava as pantufas de casa, Tadeu se adiantou.

Por essa razão, calava seus desejos. Quando Valentina o ajudou a vestir o casaco, ele, de forma inesperada, esticou os bracinhos e abraçou-a apertado.

Mãe.

Foi o que ele chamou em sua própria mente.

Em voz alta, as palavras saíram mornas e suaves:

— Obrigado por cuidar de mim nestes dias, tia.

A confissão fez Valentina parar de se mover. Um longo silêncio os engoliu até que, de mansinho, ela retribuiu o abraço.

— Você não estava se acostumando a ficar aqui, Tadeu?

— ... N-não, não é isso. — Ele se apressou em negar, temendo ter sido mal-interpretado. — Eu me acostumei muito. Tudo foi perfeito. Eu que peço desculpas por incomodar tanto a senhora.

O medo do menino era não saber quando teria outra chance de ficar ali. Afinal, uma oportunidade de conviver a sós com a mãe era como um tesouro; talvez nunca mais acontecesse.

Ele também havia juntado muita coragem para decidir visitar o pai.

Também achava inoportuno continuar morando ali, temendo que, com o tempo, a presença dele pudesse causar aborrecimentos à mãe.

— Você não é um incômodo.

Uma mão acolhedora repousou no topo de sua cabeça, e a voz dela soou com uma ternura de veludo:

— O Tadeu nunca será um incômodo.

— Você deve estar ansioso para vê-lo agora, então vou te levar até lá. Mas amanhã, no horário de almoço, você pode ir me visitar no hospital. Quando for lá, eu te contarei um segredo.

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