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Ele Me Traiu… ou Eu Enlouqueci? romance Capítulo 388

Henrique respondeu instintivamente:

— Esperar a notificação da missão, também tem uns novatos na equipe para liderar. O fim do ano está chegando, vão ter muitas avaliações, talvez fique um pouco mais ocupado...

No meio da fala, enquanto o olhar de Isabela se tornava cada vez mais pesado e mais frio, a voz dele foi diminuindo gradualmente até desaparecer.

Ele entendeu o significado no olhar de Isabela.

— Eu... — ele tentou contornar — Vou tentar sair do trabalho mais cedo, e também não vou mais deixar de atender suas ligações como fazia antes. Sempre que você ou o Eloy precisarem, serei o primeiro a chegar. Eu prometo.

— Não precisa. — Isabela o interrompeu. — Peça as contas do seu trabalho.

Henrique parou abruptamente:

— O quê?

— Peça as contas, deixe de ser um policial da força especial. — Isabela ergueu a cabeça e fixou o olhar no fundo de seus olhos. — Não só as forças especiais: polícia criminal, departamento de narcóticos. Qualquer coisa que o obrigue a estar na linha de frente, deixe pra trás.

Henrique franziu a testa, recusando sem sequer pensar duas vezes:

— Não.

Ele só possuía duas grandes obsessões na vida.

Uma era Isabela, a outra era aquela farda.

Ele havia herdado o número da farda de seu pai. Aqueles números o acompanharam por mais de dez anos, muito tempo para terem crescido junto à sua pele e osso e se gravado em sua medula.

Era a única coisa que ainda poderia provar seu valor depois de seus mais de trinta anos de vida neste mundo.

— Isabela, desta vez foi um acidente. — Henrique tentou se explicar. — Eu nem sempre dou tanto azar. Normalmente as forças especiais treinam bastante, mas missões extremas a gente quase nunca esbarra ao longo do ano...

Porém, Isabela não estava disposta a ouvir aquilo.

— Henrique, você faz ideia de como está a sua situação agora?

Ele ficou em silêncio.

Isabela não se surpreendeu com sua postura, hesitante em responder algo. Ela perguntou:

— Se houver uma próxima vez, acha que ainda sairá vivo do setor de emergência? Acredita que a sorte estará sempre do seu lado?

Henrique baixou as sobrancelhas e os olhos, não ousando encará-la.

Antes, ele se arriscava porque a morte, no fim, era só a morte.

A família Ferreira não sentiria falta dele, e tirando os ocasionais sermões de Helena, ninguém realmente se importava se ele sobreviveria ao dia de amanhã.

Mas agora, as coisas eram diferentes.

Isabela havia voltado, e ele tinha Eloy.

Ela estava ao seu lado, e o bolinho fofo ficava nos seus braços, o chamando de "Papai", de modo que o seu coração se derretia.

Ele mais uma vez sentiu a doçura de estar vivo.

E, também, sentia mais desgosto por aquela sua própria versão que havia descansado no passado.

— Eu... eu não sei o que mais eu posso fazer.

Desde que tinha cinco anos de idade, queria ser um policial.

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