A capela estava cheia.
Não era uma igreja grande. Dante escolhera uma capela simples, no alto de uma colina tranquila, cercada por jardins. Nada de luxo. Nada de exageros.
Apenas as pessoas que importavam.
Julia usava um vestido branco com pequenos bordados de rosas. A mantinha de renda era a mesma que Laura usara no batizado de Lorena muitos anos antes.
- Ela está linda - Lorena sussurrou, ajeitando uma dobra do tecido.
- Está com a mesma expressão que você faz quando alguém fala uma besteira.
Lorena lançou um olhar indignado ao marido.
- Ela tem três meses.
- Nunca é cedo demais para julgar os outros.
A pequena, como se quisesse participar da conversa, soltou um resmungo sonolento.
Os convidados já ocupavam os bancos de madeira. Laura mostrava no celular orgulhosa as fotos que havia tirado da neta, em todas as poses possíveis com o vestido de batismo. Jonas ao lado, sorrindo e apontando cada detalhe das expressões da neta.
Alexandre estava sentado no banco de trás.
Os olhos não saíam da neta.
Havia uma paz em seu rosto que Lorena não se lembrava de ter visto antes.
Como se, depois de tantos anos vivendo cercado por arrependimentos, finalmente tivesse encontrado algo que não precisava consertar.
Quando chegou o momento do batismo, Dante recebeu Julia nos braços e se aproximou da pia batismal.
O padre sorriu.
- E qual é o nome da criança?
Dante olhou para a filha.
Depois para Alexandre.
Foi apenas um segundo.
Mas Alexandre percebeu.
Viu o olhar do filho.
Viu o leve sorriso que surgiu antes da resposta.
- Julia Campos Ramos - respondeu Dante.
Lorena olhou para Alexandre, percebendo a satisfação que tomou conta do rosto dele.
O padre repetiu o nome enquanto preenchia os documentos.
- Julia Campos Ramos.
Um silêncio breve percorreu os primeiros bancos.
A cerimônia continuou.
A água tocou a testa da bebê.
Julia reclamou baixinho.
Os convidados sorriram.
Depois da celebração, todos se reuniram no jardim da casa que foi belamente ornamentado com flores.
Entre abraços, fotografias e pedaços de bolo, Helena acabou sendo a primeira a perguntar.
- Espera aí... Ramos?
Dante sorriu.
- Sim, Ramos, decidi cortar laços com a família Menezes de vez, então fiz a troca pelo sobrenome do meu pai.
Helena brincava com a pequena Júlia, enquanto ela estava no colo de Theo.
A conversa ao redor diminuiu aos poucos.
Dante olhou diretamente para o pai.
- Agora sou Dante Ramos.
Alexandre abaixou os olhos por um instante.
Mas não rápido o suficiente.
Todos viram o brilho de emoção que tomou conta deles.
Dante sentiu algo apertar no peito.
Porque, pela primeira vez na vida, seu próprio nome não carregava dor.
Apenas amor.
Julia, que até aquele momento brincava tranquila no colo dos padrinhos, avistou Lorena.
Imediatamente estendeu os bracinhos na direção da mãe.
Lorena a recebeu nos braços e beijou sua testa.
Enquanto observava as pessoas reunidas no jardim, os pais conversando perto das mesas, Alexandre distraindo a neta com uma flor arrancada do arranjo, Theo discutindo alguma coisa com Helena e Bruno tentando convencer Augusto a posar para mais fotografias, percebeu que aquela cena simples era tudo o que um dia sonhara ter.
Família.
Pertencimento.
Paz.
Laura se aproximou segurando uma xícara de café.
- Você está com aquela cara.
- Que cara?
- A de mãe, estás exausta e radiante ao mesmo tempo.
Lorena riu.
- Esses últimos três meses foram os mais exaustivos da minha vida e também os mais felizes.
- Eu estou tão feliz por vocês e pela Julinha, ela não podia ter pais melhores.
Laura observou a filha por um instante.
Depois olhou para Dante, que naquele momento tentava convencer Júlia a sorrir para uma foto.
- Vocês dois precisam descansar.
- Mãe...
- Estou falando sério.
- Nós estamos bem.
- Lorena, vocês não dormem uma noite inteira há meses.
Jonas apareceu ao lado delas.
- Sua mãe já está planejando alguma coisa.
- Seu pai tem razão, nós não podemos fazer muita coisa por vocês, mas vamos cuidar da Julia pra vocês tirarem um tempo a sós.
- É verdade, um casal precisa ter algum tempo de qualidade juntos - Alexandre se aproximou escutando a conversa. - Eu também quero ajudar a cuidar da minha netinha.
Laura abriu um sorriso vitorioso.
- Então está decidido.
- O quê está decidido? - Dante perguntou, aproximando-se com Júlia nos braços.
- Que vocês vão viajar no próximo fim de semana.
- Viajar?
- Sim.
- E a Júlia?
Laura estendeu os braços e pegou a neta.
- A Júlia vai ficar conosco.
O silêncio foi imediato.
- Mãe...
- Não.
- Ela tem só três meses.
- Eu criei você.
- O que não é exatamente um argumento tranquilizador - Jonas comentou.
Laura lançou um olhar indignado ao marido.
- Vocês vão passar dois dias fora.
- Dois dias? - Dante repetiu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia