Seis anos depois
O salão do evento estava lotado.
Luzes de cristal pendiam do teto, mesas redondas cobertas por toalhas brancas se espalhavam pelo espaço, e o som de taças tilintando se misturava ao burburinho de centenas de convidados. O prêmio de melhor advogado do ano era um dos mais cobiçados da área, e a lista de indicados era longa.
Dante estava na mesa da frente, João no colo, Julia sentada ao lado.
- A mamãe vai ganhar? - Julia perguntou, os olhos esverdeados brilhando.
- Vai - Dante respondeu.
- Como você sabe?
- Porque a mamãe é a melhor.
João, de três anos, estava mais interessado no guardanapo de que ele vinha transformando em um avião há dez minutos.
- Pai, olha - ele disse, erguendo o guardanapo amassado. - Avião.
- Muito bom, filho.
- Ele voa?
- Só se você jogar.
João jogou. O guardanapo voou três metros e caiu no colo de uma senhora à mesa ao lado. Dante pediu desculpas com um aceno.
Quando o nome de Lorena ecoou pelo salão, por um segundo ela não reagiu.
Como se não tivesse ouvido.
Como se aquela homenagem fosse destinada a outra pessoa.
Depois as palmas vieram fortes.
Longas.
Emocionadas.
Lorena sentiu a garganta apertar.
Porque, durante anos, acreditou que jamais voltaria a se sentir capaz de alguma coisa.
E agora estava ali.
Reconhecida.
Respeitada.
Livre.
Ela subiu ao palco sob os aplausos.
Recebeu a estatueta com as mãos levemente trêmulas.
- Obrigada - disse, aproximando-se do microfone.
Sua voz falhou por um instante.
Ela respirou fundo.
- Durante muito tempo, eu achei que minha história tinha acabado.
O salão ficou em silêncio.
- Mas descobri que recomeços existem. E que, às vezes, as pessoas que tentam nos destruir acabam nos mostrando exatamente o quanto somos fortes.
Os olhos dela encontraram os de Dante na primeira mesa.
Depois os dos filhos.
- Este prêmio é para todas as mulheres que precisaram reconstruir a própria vida quando ninguém acreditava que elas conseguiriam.
As lágrimas vieram antes que pudesse impedir.
- E também para a minha família. Porque nenhum sonho é conquistado sozinho.
O salão inteiro voltou a aplaudir.
Dante foi o primeiro a ficar de pé, depois todos os outros.
- A mamãe é famosa? - Julia perguntou.
- É.
- Mais que você?
- Muito mais.
- Ah.
João, que finalmente havia recuperado o guardanapo, olhou para o palco.
- Mamãe!
Lorena ergueu a mão para os filhos. Os três aplaudiram juntos - Dante, Julia e João.
E, naquele momento, nada mais importava.
O jantar de comemoração foi no restaurante favorito de Lorena.
A mesa estava cheia, as crianças, Laura, Jonas, Alexandre, e Helena.
- Eu sabia que você ia ganhar - Helena disse, erguendo a taça. - Desde que vi você naquele tribunal, sabia.
- Você só viu uma audiência.
- Vi o suficiente.
O celular de Dante vibrou. Ele olhou para a tela e atendeu.
- Theo? - perguntou, com uma sobrancelha arqueada. - Vocês conseguem chegar?
- Não vai dar - ele respondeu, a voz mais alta que o necessário. - A Clara entrou em trabalho de parto.
Dante levantou, ansioso.
- Agora? - Dante perguntou.
A mesa inteira olhou pra ele em busca de respostas.
- Os gêmeos estão chegando.
- Agora? - Lorena se levantou. - Vamos para o hospital!
O hospital estava iluminado e agitado quando eles chegaram.
Theo e Clara estavam na sala de parto, e o grupo se instalou na sala de espera. Julia sentou no colo de Alexandre.
- A tia Clara vai ter um bebê? - perguntou.
- Vai - Alexandre respondeu. - Dois.
- Dois?
- Sim, gêmeos.
Julia ficou em silêncio por um segundo.
- Que legal.
João dormia no colo de Jonas, exausto depois de tanto movimento.
Quando a enfermeira finalmente apareceu, todos se levantaram.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia