Naiara sabia que sua visita repentina faria Henrique Xavier pensar demais, então tratou de se explicar imediatamente.
— Pai, não vim buscar o Bento. Queria passar a noite aqui hoje.
Henrique piscou, surpreso.
— Dormir aqui?
— Nós brigamos — explicou Naiara, direta. — Ele está me procurando por toda parte, e eu não quero ser encontrada.
Ao ouvir isso, Henrique soltou uma gargalhada genuína.
— Pois então fique! O que não falta aqui é quarto. Escolha o que quiser. De agora em diante, sempre que quiser vir dormir aqui, a porta está aberta. Nem precisa avisar.
Ele esfregou as mãos, visivelmente satisfeito.
— Aquele moleque... deixe que procure! Ah, o dia dele finalmente chegou! Até que enfim apareceu alguém capaz de colocá-lo na linha!
Eduardo riu e balançou a cabeça.
Para quem visse de fora, até pareceria que o jovem mestre era o genro que havia se mudado para a casa da esposa. Afinal, quando um casal briga, o normal é a mulher voltar para a casa dos próprios pais. Mas ali estava a nora, buscando refúgio na casa do sogro.
Assim que Henrique terminou de falar, seu celular tocou.
Eduardo pegou o aparelho e sorriu.
— É o jovem mestre.
— Coloque no viva-voz, no viva-voz! — instruiu Henrique, empolgado.
Logo, a voz tensa de Afonso preencheu o ambiente.
— Pai, a Naiara procurou o senhor?
Henrique engrossou a voz, soando perfeitamente sério.
— E por que ela me procuraria?
— Pai, a Naiara está com raiva de mim e eu não a encontro em lugar nenhum. Ela não atende o telefone. Se ela entrar em contato com o senhor, por favor, tente convencê-la. Ela costuma escutar o que o senhor diz.
Henrique soltou um suspiro teatral.
— Como é que vocês já estão brigando? Não acabaram de se casar? Ai, ai... vocês jovens arrumam cada problema. Está bem, já entendi. Se ela ligar, falarei bem de você.
Afonso tentou dizer mais alguma coisa, mas foi cortado.
— Chega de papo, preciso ir brincar com meu neto. Tchau. — E desligou.
— Pai, esses pratos têm um tempero mais leve — começou Naiara, assumindo um tom profissional e cuidadoso. — O Afonso me disse que os seus níveis de colesterol e glicose estão um pouco altos.
Ela olhou para os funcionários.
— Por isso, já avisei a cozinheira: a partir de hoje, as refeições não podem ser pesadas. Frituras e doces estão estritamente controlados. Só de vez em quando, para matar a vontade.
Ela voltou a atenção para o sogro.
— Além disso, me disseram que o senhor anda meio exigente com a comida. Isso é inaceitável. O senhor não tem mais a idade que tinha antes. O metabolismo pode ter desacelerado, mas as necessidades nutricionais não diminuíram. A estrutura da sua dieta diária é fundamental.
Henrique ouvia tudo em silêncio, quase hipnotizado.
— Todos os dias será preciso combinar cereais, vegetais, proteínas, frutas e laticínios. Vou preparar um cardápio e entregá-lo à cozinheira para que ela siga à risca. Não se trata mais de comer o que o senhor quer, mas sim o que o seu corpo precisa. Mas não se preocupe, os pratos serão variados, o senhor não vai enjoar.
Ela então se virou para o mordomo.
— E tio Eduardo, a cozinheira também me contou que a sua tosse piorou muito nesses últimos dois dias. O cigarro tem que acabar. A partir de hoje, ninguém mais fuma nesta casa. Se achar difícil parar, pense no Bento. Ele quer que vocês dois vivam até os cem anos para vê-lo crescer.
Naiara finalizou com um sorriso encorajador.
— Vou comprar alguns adesivos ou remédios para ajudar o senhor com a abstinência. E, todos os dias, vocês dois devem dar uma caminhada pelo jardim. Nada de ficar o tempo todo trancados dentro de casa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...