Assim que Afonso abriu a porta e entrou no escritório, deparou-se com o próprio pai exibindo uma expressão amuadamente infantil.
Foi a primeira vez na vida que ele viu seu pai agir com tamanha imaturidade. Mas, surpreendentemente, não deixava de ser uma cena adorável.
Então era essa a sensação. Aquele era o famoso espírito de quem não envelhece por dentro.
Era essa a sensação de ter uma família.
Naiara foi atrás do sogro, tentando bajulá-lo com um sorriso divertido.
— Pai, eu falei bobagem! Na verdade, o senhor joga muito bem. Se treinar um pouco mais, tenho certeza de que logo conseguirá me vencer.
Ela fez uma pausa teatral antes de continuar:
— Sabe de uma coisa? Sempre que eu tiver um tempo livre, venho jogar com o senhor. Posso até ensinar os truques e as táticas que o meu padrinho usa. Garanto que, na próxima vez que jogarem, o senhor vai ganhar dele.
O humor de Henrique mudou da água para o vinho.
— É sério? Acha mesmo que eu consigo ganhar dele?
— Sim, é sério. Eu prometo.
— Então cumpra a sua palavra! Venha sempre que puder.
Naiara sorriu.
— Com o meu filho servindo de refém nesta casa, como eu ousaria não cumprir?
Henrique lançou um olhar de soslaio para Afonso.
— Ainda bem que arranjei uma nora excelente. Se não fosse por ela, o resto da minha vida seria um tédio mortal.
...
Naiara começou a guardar as peças de xadrez vagarosamente.
Afonso encostou-se ao lado dela.
— Esposa.
Naiara o ignorou por completo.
Afonso a abraçou por trás.
— Eu errei.
Ela continuou sem responder.
Ele apoiou o queixo no ombro dela.
— O que eu preciso fazer para você me perdoar, hum?
Naiara respondeu com uma voz fria e inexpressiva:
— Primeiro me solte. Preciso terminar de guardar o tabuleiro.
Afonso afrouxou o abraço e recuou.
Ela continuou a arrumar as peças, propositalmente devagar.
Afonso afastou a toalha para o lado, segurou a mão dela e, com um puxão firme, a fez cair sentada no colo dele.
Ele abraçou a cintura fina dela e afundou o rosto em seu peito.
— Já me perdoou, não é?
Naiara cutucou a testa dele com o dedo.
— Por que você não comeu?
— Porque eu não conseguia te achar. A comida não descia.
— Afonso! Desde quando você se deixa levar tanto pelas emoções?!
— Porque se trata de você. Eu não consigo me controlar.
O coração de Naiara se apertou entre a pena e a raiva.
— Você pode me prometer uma coisa?
— Hum.
— De hoje em diante, não importa o que aconteça, não importa se o problema é comigo ou com qualquer outra pessoa, é proibido pular refeições. Café da manhã, almoço e jantar nos horários certos. Consegue fazer isso?
Afonso levantou a cabeça e beijou a bochecha dela.
— Só se você aceitar as minhas condições também.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...