Quando Quitéria acordou, não chorou mais. Parecia estranhamente calma. Uma tranquilidade de quem finge que nada aconteceu.
Ela procurou Naiara.
— Sra. Naiara, eu preciso voltar para a minha cidade natal.
Naiara achou que tinha ouvido mal.
— Voltar para lá? Agora?
Quitéria virou-se para a direção da UTI.
— Tem um templo perto da minha terra. Dizem que é muito milagroso. Antes, eu não acreditava nessas coisas. Eu sempre achei que, se bater a cabeça no chão fosse o suficiente para realizar desejos, não existiria mais dor no mundo. Mas, agora, eu quero tentar.
Naiara não conseguia compreender aquela lógica.
Mas, quando as pessoas chegam ao limite do desespero, só lhes resta depositar suas esperanças na existência divina.
Afonso colocou a mão sobre a de Naiara e dirigiu-se a Quitéria.
— Pode ir. Nós cuidaremos de tudo aqui. Se ele acordar, você será a primeira a saber.
Quitéria não disse mais nada. Curvou-se profundamente em sinal de respeito e se virou para partir.
Naiara observou a silhueta frágil se afastar e engoliu o choro. Os dois haviam oficializado o namoro há apenas um dia. Quem diria que uma tragédia dessas iria acontecer?
O celular de Afonso tocou. Era Breno. Ele atendeu no viva-voz.
— Jovem Mestre, antes do incidente, Gualter esbarrou com Carlos Lucca. Segundo testemunhas, eles tiveram uma discussão tensa. O assistente de Carlos, o Ronaldo, tentou agredir o Gualter na hora. Mas não conseguimos descobrir o que aconteceu depois que Gualter foi embora. Onde ele foi encontrado, só havia uma câmera de rua, mas ela está quebrada há muito tempo e nunca foi consertada.
Fábio andava de um lado para o outro no corredor, indignado.
— Esse Carlos Lucca está pedindo para morrer!
— Fábio, fique aqui com a Naiara — instruiu Afonso. — Se houver qualquer novidade, me ligue.
Fábio entendeu o recado no olhar do amigo.
— Pode deixar. Vá resolver isso.
Naiara segurou o braço de Afonso.
— Você vai atrás do Carlos?
Ronaldo ficou com os olhos injetados de sangue.
— Afonso! Não abuse da sorte!
*PÁ!*
Desta vez, foi Breno quem bateu.
Ronaldo viu estrelas, e o gosto metálico de sangue invadiu sua boca.
Afonso estava sentado em uma cadeira à frente, as pernas ligeiramente afastadas, os cotovelos apoiados nas coxas. Entre seus longos dedos, girava um isqueiro de prata. Com um toque suave do polegar, a chama acendia. Ele soprava, apagava e acendia de novo.
Após repetir o movimento algumas vezes, o isqueiro aceso parou sob o queixo de Ronaldo.
O assistente soltou um grito estridente de dor.
Ao mesmo tempo, o terror absoluto tomou conta de seu corpo. Se não estivesse vendo com os próprios olhos, jamais acreditaria. Aquele homem com olhar sedento de sangue, que parecia pronto para quebrar seu pescoço a qualquer instante, era o mesmo empresário elegante e impassível que todos conheciam.
— Foi você quem bateu nele? — a voz de Afonso soou fria.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...