Quando Quitéria voltou a entrar no quarto, os dois interromperam a conversa.
A garota tinha um coração puro e era assustadiça; quanto menos soubesse, melhor.
Naiara, de propósito, arranjou uma desculpa para deixá-los a sós.
— Vou descer para comprar umas frutas. Quitéria, cuide bem do Gualter.
— Pode deixar, Sra. Naiara. — Respondeu Quitéria.
Ela puxou uma cadeira, sentou-se ao lado da cama e ficou encarando o tubo de soro com um olhar pidão.
— Quitéria. — Gualter a chamou de repente.
Ela virou o rosto para ele.
— O que foi? Precisa de alguma coisa?
— Venha, sente-se aqui perto de mim.
Obediente, ela deixou a cadeira e acomodou-se na beirada da cama.
— O que houve?
O olhar de Gualter foi se tornando gradativamente mais terno.
— Seus ferimentos ainda doem?
Quitéria balançou a cabeça.
— Não dói. Perto do que você passou, isso não é nada.
O coração de Gualter deu um salto.
Aquela garota parecia frágil, prestes a quebrar ao menor toque, mas havia uma força assustadora em sua essência. Uma força que só despertava em circunstâncias extremas.
— Me dá um abraço.
Ela piscou, surpresa.
— Eu?
Gualter não conseguiu conter uma risada.
— E você acha que eu pediria para outra mulher me abraçar?
— Mas... eu tenho medo de machucar suas feridas.
— Não vai. É só me abraçar devagarinho.
Tremendo, Quitéria deu-lhe um abraço simbólico, mal tocando os braços dele. Nem sequer teve coragem de encostar a cabeça em seu peito.
Quando ela fez menção de recuar, Gualter segurou sua nuca e a puxou para baixo.
Os lábios dos dois se colaram com firmeza.
Diferente do beijo fugaz da última vez, Gualter tomou a iniciativa, pedindo passagem. Quitéria nunca havia experimentado algo assim e arregalou os olhos, em choque.
— Oho? — Fábio ergueu uma sobrancelha. — Desde quando isso aconteceu? Você é rápido, hein.
Cícero deu uma olhada no prontuário pendurado no pé da cama.
— Pelo que vejo, vai levar alguns meses para se recuperar totalmente.
— Ainda bem que posso usar o notebook na cama — disse Gualter. — Se eu tivesse que ficar sem fazer absolutamente nada, só descansando por meses, eu enlouqueceria.
Fábio deu uma risada leve.
— Nisso você e a Naiara são idênticos. Não conseguem ficar parados.
— Por falar nela, cadê a Naiara? — perguntou Cícero.
— Ela disse que ia descer para comprar frutas — respondeu Gualter.
Mal ele terminou de falar, Breno entrou no quarto, olhando ao redor.
— A Sra. Naiara ainda não voltou?
Gualter franziu a testa.
— Você não estava com ela o tempo todo?
Desde o incidente de Gualter, Afonso havia designado Breno para ser a sombra de Naiara vinte e quatro horas por dia.
— Ela estava no supermercado aqui embaixo comprando frutas. Pediu para eu levar algumas sacolas para o carro. Quando voltei, ela não estava mais no mercado. Achei que tivesse subido para cá.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...