Um misto de emoções indecifráveis atravessou os olhos de Carlos.
Talvez fosse melancolia.
Talvez fosse desespero puro.
— Acho que nem eu sei a que estou me agarrando. Talvez... talvez seja só o gosto amargo da derrota.
Naiara soltou um suspiro quase imperceptível.
— E por que você não aceita a derrota?
O olhar dele parecia distante, como se preso num sonho febril.
— É verdade... Por que não aceito?
Naiara já não sentia medo de Carlos; sentia apenas aflição. Preocupava-se com o estado de Afonso. Se ele não a encontrasse, poderia enlouquecer.
— No começo, eu fui verdadeira com você. Mas você não soube valorizar, sentiu nojo, me machucou. Então, eu fui embora.
— Você gostava da Adriana Fontana, mas ela te traiu. Talvez tenha sido o seu carma, e você não pode culpar ninguém por isso.
— E a Zuleica? Ela era devotada, nunca quis o seu dinheiro, só queria que você a tratasse com um pingo de dignidade. Mas você não o fez. Você a desprezava, a usava apenas como um escape, e no fim, até o filho que ela carregava foi perdido por sua causa. Por isso ela te deixou.
— Depois, você acabou na mesma cama que a Isadora Coelho...
— Foi aí que tive certeza: Carlos Lucca nunca vai amar ninguém. O que você gosta é da emoção passageira, do prazer de momento. Quando a brincadeira acaba e você sai da cama, volta a ser o mesmo Carlos impiedoso e sem coração.
— Sendo assim, o que exatamente você não consegue aceitar?
Carlos permaneceu em silêncio por um longo tempo, suas feições distorcendo-se sucessivamente.
— E se eu disser que o meu coração já bateu por você, você acreditaria?
— Acreditaria. Mas acredito ainda mais que foi só um capricho momentâneo, não algo para a vida toda.
De repente, Carlos soltou uma risada fria.
— Você realmente me conhece. É tão racional, tão lúcida. Não me admira que Afonso Xavier seja tão obcecado por você.
— Ele abriu mão da herdeira da família Âncora só para ficar com você.
E, por causa dela, levou a família Lucca à ruína.
— Aquele filho... é mesmo do Afonso?
A voz de Naiara era indiferente.
— Você já sabe a resposta.
Um ódio fulminante oprimia o peito de Carlos, mas ele o conteve.
— Você queria dizer que, no fundo, eu já perdi para ele faz tempo, não é? E que perdi de forma humilhante?
— Entenda como quiser.
Carlos tateou os bolsos da calça, como se procurasse um cigarro. A frustração de não encontrar o deixou mais irritado.
— Você tem razão. Eu perdi. Eu admito.
Aquelas três palavras permitiram que Naiara relaxasse um pouco os ombros.
— Carlos, vamos voltar. Está fazendo frio aqui.
Em vez de ir embora, Carlos tirou o próprio casaco e colocou sobre os ombros dela.
— Vamos ficar só mais um pouco.
Naiara não queria vestir a roupa dele, mas também não ousava jogá-la no chão. Teve que suportar.
— Qual o sentido de continuar aqui?
Assim que as palavras saíram de sua boca, o som de uma notificação soou no celular de Carlos.
Ele olhou para a tela.
Em seguida, virou o visor na direção de Naiara.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...