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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 1046

Um misto de emoções indecifráveis atravessou os olhos de Carlos.

Talvez fosse melancolia.

Talvez fosse desespero puro.

— Acho que nem eu sei a que estou me agarrando. Talvez... talvez seja só o gosto amargo da derrota.

Naiara soltou um suspiro quase imperceptível.

— E por que você não aceita a derrota?

O olhar dele parecia distante, como se preso num sonho febril.

— É verdade... Por que não aceito?

Naiara já não sentia medo de Carlos; sentia apenas aflição. Preocupava-se com o estado de Afonso. Se ele não a encontrasse, poderia enlouquecer.

— No começo, eu fui verdadeira com você. Mas você não soube valorizar, sentiu nojo, me machucou. Então, eu fui embora.

— Você gostava da Adriana Fontana, mas ela te traiu. Talvez tenha sido o seu carma, e você não pode culpar ninguém por isso.

— E a Zuleica? Ela era devotada, nunca quis o seu dinheiro, só queria que você a tratasse com um pingo de dignidade. Mas você não o fez. Você a desprezava, a usava apenas como um escape, e no fim, até o filho que ela carregava foi perdido por sua causa. Por isso ela te deixou.

— Depois, você acabou na mesma cama que a Isadora Coelho...

— Foi aí que tive certeza: Carlos Lucca nunca vai amar ninguém. O que você gosta é da emoção passageira, do prazer de momento. Quando a brincadeira acaba e você sai da cama, volta a ser o mesmo Carlos impiedoso e sem coração.

— Sendo assim, o que exatamente você não consegue aceitar?

Carlos permaneceu em silêncio por um longo tempo, suas feições distorcendo-se sucessivamente.

— E se eu disser que o meu coração já bateu por você, você acreditaria?

— Acreditaria. Mas acredito ainda mais que foi só um capricho momentâneo, não algo para a vida toda.

De repente, Carlos soltou uma risada fria.

— Você realmente me conhece. É tão racional, tão lúcida. Não me admira que Afonso Xavier seja tão obcecado por você.

— Ele abriu mão da herdeira da família Âncora só para ficar com você.

E, por causa dela, levou a família Lucca à ruína.

— Aquele filho... é mesmo do Afonso?

A voz de Naiara era indiferente.

— Você já sabe a resposta.

Um ódio fulminante oprimia o peito de Carlos, mas ele o conteve.

— Você queria dizer que, no fundo, eu já perdi para ele faz tempo, não é? E que perdi de forma humilhante?

— Entenda como quiser.

Carlos tateou os bolsos da calça, como se procurasse um cigarro. A frustração de não encontrar o deixou mais irritado.

— Você tem razão. Eu perdi. Eu admito.

Aquelas três palavras permitiram que Naiara relaxasse um pouco os ombros.

— Carlos, vamos voltar. Está fazendo frio aqui.

Em vez de ir embora, Carlos tirou o próprio casaco e colocou sobre os ombros dela.

— Vamos ficar só mais um pouco.

Naiara não queria vestir a roupa dele, mas também não ousava jogá-la no chão. Teve que suportar.

— Qual o sentido de continuar aqui?

Assim que as palavras saíram de sua boca, o som de uma notificação soou no celular de Carlos.

Ele olhou para a tela.

Em seguida, virou o visor na direção de Naiara.

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