O sangue pingava espesso da lâmina da faca.
Carlos apoiava uma mão no batente da porta e, com a outra, tocou a arma em seu corpo. Seu rosto, antes sombrio e ensandecido, agora estava branco como papel.
Naiara olhou para quem segurava o cabo e sentiu um nó cego na mente.
Nunca, em seus delírios mais loucos, imaginaria que no momento decisivo seria Isadora Coelho a salvá-la.
Diante da agonia de Carlos, Isadora permaneceu estoica. Seus olhos se voltaram para Naiara, apáticos.
— Não vai embora?
Naiara queria dizer algo, mas as palavras lhe faltaram. Após uma breve hesitação, conseguiu formular um pensamento prático.
— Não o deixe morrer. Leve-o para um hospital.
Se Carlos morresse ali, Isadora seria acusada de homicídio.
E pior: uma assassina que só cometeu o crime para salvá-la.
Naiara não podia permitir que isso acontecesse. Era uma dívida pesada demais para carregar!
Isadora bufou, com desdém.
— Ele tentou te estuprar e você ainda está preocupada se ele vai viver ou morrer?
— Não estou preocupada com a vida dele — retrucou Naiara, afiada. — Só não quero que você passe o resto da vida numa prisão por minha causa.
Isadora piscou, surpresa, e deixou escapar um sorriso amargo.
— Você ainda se importa comigo.
As pernas de Carlos finalmente cederam, e ele desabou no chão.
A faca não podia ser removida. Se a tirassem, ele sangraria até a morte em questão de minutos.
O tempo estava se esgotando. Naiara correu para amparar o peso de Carlos e gritou para Isadora:
— Rápido! Vamos levar ele para o hospital! Ele não pode morrer!
Isadora saiu do transe, ajudando a empurrar Carlos para dentro do carro.
Naiara pegou o celular.
Havia um posto médico comunitário por perto.
Fosse grande ou pequeno, o importante era estancar a morte iminente.
Naiara assumiu o volante.
Isadora ficou no banco de trás com Carlos.
A cor havia esvaído totalmente do rosto de Carlos. O cheiro de ferro cru empesteava o interior do carro.
Respirando por um fio de vida, a dor pareceu clarear a mente do homem.
— Isadora... você é mesmo... impressionante... — murmurou ele, com sarcasmo fraco.
E, com isso, sua cabeça tombou no ombro de Isadora.
Ela não o empurrou, mas seu rosto continuava esculpido em pura indiferença e apatia.
Naiara exalou todo o ar preso nos pulmões.
Não estava morto. Era o que importava.
Carlos foi transferido para um quarto comum.
— Não vai lá ver o estado dele? — perguntou Isadora.
Naiara negou com um leve movimento de cabeça.
— Não.
Isadora não acrescentou mais nada; virou as costas e caminhou em direção ao quarto de Carlos.
Naiara saiu direto do hospital.
Assim que as portas do elevador abriram no térreo, ela ligou para Afonso.
A chamada foi atendida no primeiro toque.
A voz de Afonso estava embargada de pânico e preocupação.
— Onde você está?
Naiara mordeu o lábio. Sem entender o porquê, a vontade de chorar veio como uma avalanche.
Enquanto era subjugada por Carlos, ela não derramou uma única lágrima.
Mas bastou ouvir a voz de Afonso para que todo o seu controle emocional desmoronasse.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...