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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 1048

O sangue pingava espesso da lâmina da faca.

Carlos apoiava uma mão no batente da porta e, com a outra, tocou a arma em seu corpo. Seu rosto, antes sombrio e ensandecido, agora estava branco como papel.

Naiara olhou para quem segurava o cabo e sentiu um nó cego na mente.

Nunca, em seus delírios mais loucos, imaginaria que no momento decisivo seria Isadora Coelho a salvá-la.

Diante da agonia de Carlos, Isadora permaneceu estoica. Seus olhos se voltaram para Naiara, apáticos.

— Não vai embora?

Naiara queria dizer algo, mas as palavras lhe faltaram. Após uma breve hesitação, conseguiu formular um pensamento prático.

— Não o deixe morrer. Leve-o para um hospital.

Se Carlos morresse ali, Isadora seria acusada de homicídio.

E pior: uma assassina que só cometeu o crime para salvá-la.

Naiara não podia permitir que isso acontecesse. Era uma dívida pesada demais para carregar!

Isadora bufou, com desdém.

— Ele tentou te estuprar e você ainda está preocupada se ele vai viver ou morrer?

— Não estou preocupada com a vida dele — retrucou Naiara, afiada. — Só não quero que você passe o resto da vida numa prisão por minha causa.

Isadora piscou, surpresa, e deixou escapar um sorriso amargo.

— Você ainda se importa comigo.

As pernas de Carlos finalmente cederam, e ele desabou no chão.

A faca não podia ser removida. Se a tirassem, ele sangraria até a morte em questão de minutos.

O tempo estava se esgotando. Naiara correu para amparar o peso de Carlos e gritou para Isadora:

— Rápido! Vamos levar ele para o hospital! Ele não pode morrer!

Isadora saiu do transe, ajudando a empurrar Carlos para dentro do carro.

Naiara pegou o celular.

Havia um posto médico comunitário por perto.

Fosse grande ou pequeno, o importante era estancar a morte iminente.

Naiara assumiu o volante.

Isadora ficou no banco de trás com Carlos.

A cor havia esvaído totalmente do rosto de Carlos. O cheiro de ferro cru empesteava o interior do carro.

Respirando por um fio de vida, a dor pareceu clarear a mente do homem.

— Isadora... você é mesmo... impressionante... — murmurou ele, com sarcasmo fraco.

E, com isso, sua cabeça tombou no ombro de Isadora.

Ela não o empurrou, mas seu rosto continuava esculpido em pura indiferença e apatia.

Naiara exalou todo o ar preso nos pulmões.

Não estava morto. Era o que importava.

Carlos foi transferido para um quarto comum.

— Não vai lá ver o estado dele? — perguntou Isadora.

Naiara negou com um leve movimento de cabeça.

— Não.

Isadora não acrescentou mais nada; virou as costas e caminhou em direção ao quarto de Carlos.

Naiara saiu direto do hospital.

Assim que as portas do elevador abriram no térreo, ela ligou para Afonso.

A chamada foi atendida no primeiro toque.

A voz de Afonso estava embargada de pânico e preocupação.

— Onde você está?

Naiara mordeu o lábio. Sem entender o porquê, a vontade de chorar veio como uma avalanche.

Enquanto era subjugada por Carlos, ela não derramou uma única lágrima.

Mas bastou ouvir a voz de Afonso para que todo o seu controle emocional desmoronasse.

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