No pulso de Afonso, havia um pequeno hematoma arroxeado.
Naiara o notou imediatamente, antes de erguer os olhos novamente para o rosto do marido.
Felizmente, seu rosto continuava impecável, sem o menor arranhão.
O laço de sangue entre pai e filho fez o pequeno Bento esticar os bracinhos, pedindo colo para Afonso.
Afonso pegou o bebê no ar.
Naiara suspirou, fingindo indignação.
— Pelo visto, ele gosta mais de você do que de mim. Todo aquele sofrimento para carregar essa criança não serviu de nada.
Afonso beijou suavemente a bochecha de Naiara, sussurrando com adoração:
— Acho que é apenas a telepatia silenciosa que existe entre nós homens.
Naiara riu.
— Ah, claro. E se no futuro a gente tiver uma menina, e ela também preferir você, qual vai ser a desculpa?
— Se isso acontecer, vou ter que ter uma conversa muito séria com eles. Neste mundo inteiro, a única pessoa que eles não têm o direito de ignorar ou magoar é a mãe deles.
— Eu prefiro que eles me ignorem mesmo — brincou ela. — Assim eu não preciso ficar em cima deles, deixo a dor de cabeça toda para você.
— Pode deixar, eu cuido deles. Mas você... você cuida de mim.
Bento começou a adormecer no abraço forte do pai. Com movimentos cuidadosos, Afonso colocou o bebê no berço.
Em seguida, ele pegou a mão de Naiara e os dois saíram do quarto. Foi então que ela mencionou o hematoma no pulso dele.
— Deixe-me passar uma pomada nisso.
Não era nem um corte aberto, não havia a menor necessidade de tratamento médico. Mesmo assim, Afonso sentou-se comportadamente e deixou que a esposa fizesse o curativo.
Ele sabia que deixá-la cuidar dele era a única forma de acalmar o coração dela.
Naiara levou a mão de Afonso até os lábios e soprou suavemente sobre a pele manchada. Uma onda de tristeza apertou o peito dela.
— Se você já tinha resolvido tudo na coletiva de imprensa, por que foi atrás do Fausto? E se você se machucasse de verdade?
Afonso a puxou pela cintura, trazendo-a para o seu colo.
— A coletiva serviu para garantir o seu lugar e a sua posição oficial no mundo. Ir atrás de Fausto Âncora foi para aplicar a lei de talião. Ele tocou em você. Era minha obrigação moral quebrar a cara dele.
— Quanto a me machucar... não se preocupe. Ele nunca foi páreo para mim.
— Faça o que o meu pai está pedindo.
Naiara engoliu as objeções.
Certo. Se ela continuasse recusando, o velho ficaria sem dormir de tanta preocupação. Para acalmá-lo, o melhor era aceitar.
— Há outra questão que eu quero discutir com vocês — disse Henrique, caminhando até a poltrona em frente ao casal.
— Naiara, eu quero que vocês se mudem para a Mansão Xavier em definitivo.
Naiara piscou, surpresa.
— Nos mudarmos para cá?
— Você e o Afonso já assinaram os papéis do casamento civil. Toda a cidade de Rio Belo já sabe que você é minha nora legítima. Voltar a viver na casa da família é a coisa mais natural a se fazer.
Naiara ficou genuinamente dividida. Ela já havia se habituado à tranquilidade do Residencial Perfume e a ideia de se mudar dava preguiça.
Henrique deu um longo e dramático suspiro.
— Ah, eu entendo... você tem nojo deste velho aqui. Não quer dividir o mesmo teto com a terceira idade, não é?
— Mas tudo bem, eu não te culpo. A velhice chega, e as pessoas começam a sentir repulsa dos mais velhos. É a lei da vida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...