— Já me sinto culpada o suficiente pelo que aconteceu com a minha madrinha. Eu a chamo assim, mas não cumpri meu dever de filha. E agora, com meu padrinho nessa situação, eu preciso fazer alguma coisa, ou carregarei esse remorso pelo resto da vida.
— Mas você não pode sair daqui. Quando ela acordar, precisa ver que a família está ao seu lado. Não a deixe se sentir sozinha.
Fábio imediatamente se ofereceu:
— Então eu vou com você.
— Não precisa — recusou Naiara. — O Breno e os seguranças estão comigo. Ficarei bem.
Afonso segurou a mão dela, abrindo a boca para protestar, mas recuou.
Se ela tomara aquela decisão, era porque havia pensado muito a respeito.
Se ele a impedisse de ir, a consciência dela não teria paz.
— Ligue para mim a qualquer momento.
— Eu ligarei — concordou ela.
Naiara saiu apressada.
Fábio observou a silhueta dela se afastar no corredor.
— Quem ela vai procurar?
Uma ponta de apreensão cruzou o olhar de Afonso.
— Ricardo Meirelles.
Entre eles, não havia necessidade de muitas palavras. Um único olhar bastava para saberem o que o outro pensava e o que pretendia fazer.
Fábio não escondeu a preocupação.
— Você confia em deixá-la ir sozinha falar com ele?
Afonso desviou o olhar lentamente.
— Na verdade, ela não gosta muito do fato de eu superprotegê-la.
Isso a faria se sentir inútil.
Fábio compreendeu de repente.
— Nas últimas semanas, ela tem participado de vários eventos, dado entrevistas, e em cada discurso ela faz questão de enaltecer a família Xavier. Hoje, em Rio Belo, muitos podem não conhecer a família Âncora, mas poucos ignoram o peso dos Xavier.
— Além disso, ela recentemente abriu uma fundação para crianças com paralisia cerebral usando o nome da sua família.
— Tudo o que ela está fazendo, com certeza, é por você e pela família Xavier.
Uma ternura suave surgiu no semblante do homem.
Sua esposa, tão linda e bondosa, jamais aceitaria viver apenas à sombra da proteção dele, desfrutando de uma vida sem preocupações.
Que mulher teimosa ele tinha.
...
Ao ver novamente a mulher que outrora o deixara fascinado, Ricardo Meirelles sentiu como se estivesse em outra vida.
Ela continuava tão bela e confiante como sempre, com uma aura extraordinária.
Sua pele parecia ainda mais sedosa após o nascimento do filho.
Ricardo recostou-se na cadeira, a expressão ilegível.
— É sobre o seu padrinho, imagino.
— Sim.
— Sobre esse assunto, estou de mãos atadas — declarou ele.
Naiara baixou os olhos. O líquido na xícara exibia um tom translúcido de verde e amarelo.
Chá verde tostado.
O favorito de seu padrinho.
— O senhor está realmente de mãos atadas ou apenas não quer desagradar as pessoas certas?
Ricardo pareceu momentaneamente pego de surpresa.
— Se você entende a situação, por que me colocar contra a parede? Pessoas na minha posição parecem ter muito poder, mas nos bastidores engolimos muito sapo.
Naiara ergueu levemente o olhar, os longos cílios se revelando.
— Eu entendo a complexidade da política. Por isso, nunca pensei em colocá-lo contra a parede. Só vim pedir um pequeno favor.
Ricardo fez uma pausa.
— Sou todo ouvidos.
— Eu só quero que me diga quem denunciou o meu padrinho.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...