Era uma charada que, provavelmente, ficaria sem resposta.
— Vovô Henrique!
O grito animado de Natália fez com que todos no quarto se virassem para a porta.
Henrique, acompanhado por Eduardo, acabara de entrar.
Belmira fez menção de se sentar na cama.
Henrique apressou o passo para impedi-la.
— Não se mexa, não se mexa. Fique deitada e descanse.
— É um incômodo fazê-lo vir até aqui. Fico até com vergonha. — disse Belmira.
— Que bobagem é essa? Nós somos da mesma família. — rebateu Henrique. — Eu até ia trazer o Bento para você dar uma olhada nele, mas fiquei com medo de o bebê pegar um resfriado por ser muito pequeno. Mas assim que você receber alta, faço questão de levar meu neto até a sua casa para conhecer a avó.
O comentário despertou outra lembrança no coração de Belmira.
— Quando a crise atacou e eu achei que não fosse sobreviver, minha mente estava focada em apenas duas coisas enquanto eu ainda estava consciente.
Naiara ia dizer palavras de conforto, mas Henrique levantou a mão, pedindo silêncio para que ela pudesse terminar.
Belmira continuou:
— A primeira era a minha preocupação com o Leonardo. Nesta vida, eu não fui capaz de dar a ele um único filho ou filha. Se eu morresse, tinha pavor de deixá-lo completamente sozinho.
Henrique, num de seus raros momentos de empatia, confortou-a.
— Como não tiveram filhos? A Naiara e o Afonso são como se fossem seus. E agora, vocês também têm um neto.
Uma corrente de calor preencheu o peito de Belmira.
— Essa foi a maior bênção que eu e o Leonardo poderíamos ter recebido.
Ela fez uma breve pausa, antes de retomar:
— A segunda coisa... era a Naiara.
— Sempre vi a Naiara como minha própria filha de sangue. Eu realmente queria, antes de partir deste mundo, segurar a mão dela e entregá-la no altar para o Afonso.
— Eu queria tanto vê-la em um vestido de noiva, casando-se com ele.
As palavras fizeram o coração de Naiara pesar.
— Madrinha...
— Eduardo. — Henrique interrompeu Naiara novamente, com autoridade. — Hoje mesmo, encontre alguém para calcular as datas mais auspiciosas. Quero saber qual é o melhor dia para realizarmos o casamento.
Belmira e Naiara ficaram perplexas.
Afonso entrou e bagunçou de leve o cabelo da menina.
— Você cresceu nos últimos dias?
— Sim! — respondeu Natália, orgulhosa. — A vovó Felícia faz um monte de comida gostosa para mim todos os dias. Eu não só cresci, como até ganhei peso.
Henrique não pôde deixar de provocar:
— Se eu soubesse que a comida da Felícia era tão boa assim, teria feito vocês se mudarem para a Mansão Xavier muito antes.
— Pai, está me dizendo que a única razão de ter nos chamado para morar lá foi para comer a comida da Felícia? — brincou Naiara.
Felícia, lisonjeada e nervosa, apressou-se em se explicar.
— Sra. Naiara, isso não é verdade. O Sr. Xavier nunca tinha provado a minha comida antes, não teria como ele saber se era boa ou ruim.
Naiara riu suavemente.
— Felícia, você leva as piadas muito a sério.
Afonso tocou a ponta do nariz de Naiara com profunda adoração.
— Você adora atormentar a Felícia.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...