No entanto, acabou sendo enxotada por Belmira.
Naiara desceu com Afonso.
Antes de se despedirem, o assunto do casamento ressurgiu.
— Nós tínhamos combinado de não fazer uma cerimônia. Por que mudou de ideia? — questionou Afonso.
Os olhos de Naiara brilharam com diversão.
— Porque percebi que quase todos à nossa volta querem muito que a gente celebre. Sendo assim, a minoria deve acatar a vontade da maioria, não acha?
Se uma simples festa poderia trazer tanta alegria para tantas pessoas queridas, por que não fazer?
E o mais importante...
— Eu sei que, lá no fundo, você também morre de vontade de me dar esse casamento.
Afonso passou o braço pela cintura dela, puxando-a para junto de si num gesto dominador.
— Você tem razão. Eu realmente quero te dar um casamento grandioso. Tudo aquilo que te foi negado no passado, eu quero te dar agora em dobro.
Sua mão grande repousou nas costas dela, acariciando-a com uma suavidade reverente.
— Quero que toda a alta sociedade de Rio Belo saiba que eu, Afonso Xavier, finalmente me casei com a mulher da minha vida.
— Quero usar essa cerimônia para anunciar ao mundo inteiro que você é a senhora Xavier, a minha mulher, a minha âncora, o meu porto seguro e a razão da minha felicidade.
O perfume amadeirado e limpo dele preenchia os sentidos dela. Naiara fechou os olhos e, instintivamente, aninhou-se mais no calor de seu peito.
— Marido, de agora em diante, sempre que você quiser alguma coisa, me diga diretamente.
Ela não queria que ele estivesse sempre sacrificando os próprios desejos apenas para acomodá-la. Ceder a cada passo não era o modelo de casamento que ela buscava.
O aperto de Afonso em torno dela ficou ligeiramente mais firme.
— Prometo.
Naiara ficou observando enquanto o carro dele se afastava. Quando se virou para voltar ao hospital, paralisou.
A poucos metros de distância, estava uma figura que ela, devido ao passar do tempo, quase não reconhecia mais.
Isadora Coelho acompanhava uma amiga em exames de rotina no hospital.
Ela havia testemunhado toda a cena de romance entre os dois.
Mas o seu coração, de forma surpreendente, não acelerou com ódio ou rancor.
Isadora pediu que a amiga fosse na frente e caminhou em direção a Naiara.
Naiara permaneceu imóvel, plantada no lugar.
Ao se reencontrarem frente a frente, as palavras para descrever a sensação simplesmente lhe fugiam.
Isadora parou a uma distância educada e forçou um meio sorriso antes de quebrar o silêncio.
— Quanto tempo.
— Obrigada pelo que você fez da última vez.
Isadora piscou, confusa.
— Da última vez?
O olhar de Naiara estava calmo, mas afiado.
— Aquela foto do Fausto apertando o meu pescoço. Foi você quem mandou para o Afonso, não foi?
A lembrança atingiu Isadora, que soltou um riso amargo.
— Talvez eu só quisesse ver o circo pegar fogo.
— Você fez isso para me ajudar. Queria que o Afonso soubesse que eu estava sendo atacada.
Isadora arregalou os olhos, claramente surpresa.
— Nunca imaginei que você enxergaria as coisas por esse lado.
Naiara suspirou, o som quase imperceptível.
— Eu nunca gostei de presumir que as suas intenções fossem pura maldade. Você não é uma pessoa ruim, Isadora.
O problema dela havia sido apenas uma obsessão doentia que fugiu do controle.
Quando as pessoas se apegam demais a uma ilusão, perdem o rumo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...