— Para que todo o nosso investimento e confiança em você não tenham sido em vão — completou Helena.
Fausto abaixou ligeiramente o olhar, o coração tão imóvel quanto águas paradas. Não era a primeira vez que ouvia aquele tipo de discurso, então já tinha experiência.
Sempre que Helena adotava aquele tom, significava que tinha uma missão para ele. E nunca era algo simples.
— Mas agora, vendo a Isabella se torturar desse jeito por causa do Afonso, sei que você, assim como eu, deve estar com o coração partido — continuou ela. — Não podemos deixá-la afundar nessa depressão. Temos que fazer algo por ela.
Foi então que Fausto quebrou o silêncio.
— Mãe, vá direto ao ponto. O que a senhora precisa que eu faça?
— Eu quero que...
— Mãe? — Isabella abriu a porta abruptamente.
Helena engoliu as palavras na mesma hora. Sua expressão mudou, assumindo a máscara da mãe doce e amorosa.
— Isabella, querida, já acordou?
Isabella ainda vestia a camisa social de Fausto.
— Mãe, o que a senhora faz aqui a essa hora?
Helena deu dois tapinhas no espaço vazio ao seu lado no sofá.
— Vim ver o seu irmão. Não imaginava te encontrar aqui.
Isabella aninhou-se contra ela.
— Eu vim conversar com ele, mas o meu irmão estava muito ocupado e eu acabei pegando no sono.
O olhar de Helena recaiu sobre a camisa branca, com evidente desaprovação.
— Isabella, apesar de o Fausto ser seu irmão, vocês são um homem e uma mulher. De agora em diante, não deve ficar vestindo as roupas dele, muito menos dormindo na cama dele.
Ao ouvir aquilo, Fausto abaixou os olhos, escondendo a tempestade de emoções complexas.
Isabella, no entanto, enxergava as coisas de forma bem mais simples.
— Mãe, a senhora está pensando demais. O Fausto sempre me tratou como irmã de sangue, e eu o trato como meu irmão de sangue. O que tem de mais a irmã usar uma camisa e dormir um pouco na cama do irmão?
— Para que complicar tanto as coisas? — insistiu Isabella. — Além disso, falando assim, não tem medo de magoar os sentimentos dele?
Helena amava genuinamente a filha e, ouvindo-a falar assim, achou melhor recuar e não insistir no assunto.
— Querer é o suficiente. Não tem "mas".
Antes que Isabella pudesse falar, Helena esticou a mão e acariciou o rosto da filha.
— Isabella, eu já te disse muitas vezes: não se pode ser boa demais neste mundo. Se você for boa demais, as coisas que são suas por direito serão facilmente roubadas pelos outros.
— Acredito que agora você entende essa lição, não é?
Isabella não captou a profundidade do aviso.
— Mãe, por que está me dizendo isso do nada?
— Porque eu quero te dizer que, se você quer ficar com o Afonso, então precisa lutar por isso.
Lutar?
Essa palavra já havia perdido todo o sentido para o coração calejado de Isabella. Se lutar servisse de algo, ela não se importaria de fazer isso à exaustão. Mas, infelizmente, era inútil...
— Minha filha. — Helena segurou as mãos de Isabella com carinho, usando um tom persuasivo. — Lembre-se do que a sua mãe está dizendo. A bondade, às vezes, não é uma virtude. As pessoas vão se aproveitar dela para pisar em você e roubar o que deveria ser seu.
— Tudo o que aconteceu com você e o Afonso é a prova perfeita disso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...