A reunião terminou. José arrumava os documentos lentamente, esperando de propósito que a sala esvaziasse antes de abrir a boca.
— Chefe, o senhor está pensando na senhora Naiara, não está?
Afonso ergueu levemente o olhar, com um sorriso sutil brilhando nos olhos.
— Está tão na cara assim?
— Durante a reunião, o senhor se distraiu quatro vezes — relatou José. — A única pessoa capaz de deixá-lo no mundo da lua assim é a esposa.
Afonso não confirmou, mas também não negou.
— Já faz três dias.
Há três dias ele não via sua mulher. Desde que ela fora levada naquela noite, o contato entre eles se limitara a duas ligações. Ele não tivera sequer a chance de fazer uma videochamada para vê-la.
José não conseguiu segurar o riso.
— Chefe, são só três dias.
Breno abriu a porta e entrou na sala.
— Um dia longe parece uma eternidade. Se já faz três dias, o chefe já está sofrendo o equivalente a três eternidades.
— O que você veio fazer aqui? — perguntou José.
Breno puxou uma cadeira, sentou-se e debruçou-se sobre a mesa, com uma expressão apática.
— Nada. Só vim procurar o chefe e você.
Logo em seguida, virou-se para Afonso.
— Chefe, quando a dona Naiara volta?
— A esposa não está, não é o momento perfeito para você vadiar um pouco? — provocou José.
— Eu não quero vadiar coisa nenhuma.
— Você também está com saudade dela?
Breno foi sincero.
— Pois é, estou com saudade da patroa. Sem ela aqui, tudo fica muito chato.
— Você gosta tanto assim dela? — José instigou.
Breno apoiou o queixo nas costas das mãos e falou sem pressa.
— Claro que eu gosto dela. Ela é incrível, me trata como se eu fosse da família. Às vezes, quando fornecedores ou clientes dão presentes para ela, ela repassa para mim. Vive me levando para comer coisas boas. Quando a gente vai ao shopping e ela vê alguma roupa ou tênis que combina comigo, ela faz questão de comprar.
— A dona Naiara vive me dizendo: "Breno, você não tem família, então pode me considerar da sua. O seu chefe é como seu irmão mais velho, e eu sou sua cunhada".
Quem não consegue ler a mente do chefe, perde a confiança a cada palavra.
— Comprar... para mim.
José deu dois tapinhas no ombro de Breno.
— Esse é um privilégio exclusivo do marido. Você roubou as regalias do chefe. Você está frito.
Breno forçou um sorriso amarelo.
— Eu...
Depois de muito lutar, conseguiu soltar uma frase:
— Chefe, não se preocupe. Assim que ela voltar, eu devolvo todas as roupas e tênis que ela me deu.
Afonso recostou-se na cadeira, cruzando os braços, os cantos da boca erguidos num tom de provocação.
— Então você quer devolver as coisas que a sua patroa comprou com tanto carinho? Não tem medo de magoar o coração dela?
Breno ficou sem palavras.
— Breno, estou percebendo que ultimamente você parece muito mais disposto a seguir a sua patroa do que o seu chefe aqui.
Breno continuou calado, em pânico.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...