Entrar Via

Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 1136

Claro que sentia dor.

Mas parecia que ele já não tinha mais o direito de expressá-la.

Nem as credenciais para isso.

O sangue vermelho-vivo escorria de seu pulso, desaparecendo no tecido escuro da calça.

A boca de Beatriz estava cheia do gosto metálico e repulsivo de sangue. Ela não suportou e começou a ter ânsias de vômito.

Agindo por um impulso quase instintivo, Fausto ergueu a mão ilesa e deu leves tapinhas nas costas dela.

Mas a cada toque dele, os nervos de Beatriz se contraíam de pavor.

Porque ela finalmente havia visto quem o verdadeiro Fausto era.

Havia enxergado de perto a crueldade e o egoísmo enraizados na família Âncora.

E ela começara a odiá-los.

Beatriz disparou sua última arma:

— Você não gosta da Isabella? Por que está ajudando a fazer isso?!

Aquele rosto impassível como uma máscara de pedra finalmente quebrou.

Pânico, derrota, impotência, desespero, dor profunda...

Uma enxurrada de emoções colidiu no rosto dele, deixando-o com um aspecto assustadoramente vulnerável.

— Como... como você sabe...?

— Eu ouvi meu irmão conversando com o José. Meu irmão disse que o que você sente pela Isabella não é amor de irmão. Você gosta dela como um homem gosta de uma mulher.

Fausto congelou.

Afonso sabia!

Como ele havia descoberto?!

Ele sempre foi tão cuidadoso, sempre escondeu tão bem! Como ainda assim fora desmascarado?

— Quando você gosta de alguém — continuou a garota —, não importa o quanto você esconda. Uma pessoa observadora sempre vai perceber num pequeno gesto ou num olhar.

Fausto sentiu a vergonha paralisante de alguém que acaba de ser despido e avaliado em praça pública.

E justo na frente daquela garotinha.

Ele sentiu uma humilhação esmagadora.

— Fausto, você...

As próximas palavras foram violentamente abafadas pela fita adesiva que voltou a colar em sua boca.

Impossibilitada de usar as mãos, Beatriz, furiosa, começou a chutá-lo.

Sem alternativa, Fausto a puxou e prendeu-a contra o próprio corpo, imobilizando-a.

— Pare de lutar, não adianta. Quando isso acabar, eu deixarei você ir.

Sua mãe também queria que ela se casasse com ele.

Isabella virou-se novamente, fixando o olhar naquele rosto tão perfeitamente desenhado.

No momento exato em que os dedos dela estavam prestes a tocar os lábios macios e irresistíveis dele, os olhos escuros de Afonso se abriram de supetão. Pareciam buracos negros sem fim, prontos para engoli-la viva.

Isabella soltou um grito de terror e saltou para trás, quase caindo da cama.

— Você... você...

Estava tão aterrorizada que não conseguia formular uma única frase.

Afonso sentou-se na cama. A escuridão em seu olhar era mais letal que o inferno.

— Você quer saber por que eu acordei tão rápido?

Isabella estava tão em choque que mal conseguia se equilibrar em pé.

— É impossível ser tão rápido...

A dose do medicamento fora milimetricamente calculada. Ele não deveria ter acordado tão cedo.

— Porque não havia droga nenhuma naquela taça de vinho.

Afonso desceu da cama. Embora suas roupas estivessem intactas, sentiu repulsa e ajustou o terno por reflexo.

— No momento em que a Bia mudou de lugar de repente, eu já comecei a suspeitar.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê