— Mas que arrogância a sua! Não se esqueça de que você está no território da família Pinto. Chegar aqui, na nossa casa, achando que pode mandar e desmandar? Você realmente não tem o menor respeito pela nossa família!
— Opa!
Fábio surgiu caminhando a passos lentos, mas o ar displicente de sempre dera lugar a uma expressão sombria e perigosa.
— Quem tem arrogância de sobra aqui é você. Poucos têm a ousadia de falar nesse tom com o Sr. Afonso. Nem mesmo o seu pai se atreveria a tanto desrespeito.
Enzo pareceu ter levado um tapa na cara, a humilhação evidente. Contudo, não ousou revidar. Se comprasse aquela briga, estragaria os planos de Augusto.
Engolindo o ódio, ele virou sua fúria na direção de Isabella.
— Com esse comportamentozinho, Srta. Isabella, começo a achar que estou prestes a me casar com uma mulher fácil!
Mulher fácil...
Isabella sentiu que ia desmaiar pela falta de ar. Aquele desgraçado ousava chamá-la de mulher fácil!
Quando estava prestes a gritar, uma voz melíflua ecoou.
— Olha só, que confusão animada.
Flávia. A jovem madrasta de Enzo.
Apesar de terem quase a mesma idade, o título a colocava acima dele na hierarquia. Era uma piada de péssimo gosto que todos fingiam ignorar — algo banal nos bastidores da alta sociedade.
Flávia vestia preto, como exigia o luto. Mas tratava-se de um vestido de seda justo que abraçava todas as suas curvas sensuais. Era um luto escandaloso e provocante.
Enzo tinha asco de Flávia. E ela o considerava um estorvo medíocre.
Eles se odiavam, mas precisavam manter as aparências. Afinal, Augusto ainda ditava as regras e nenhum dos dois tinha coragem de desafiá-lo abertamente.
O olhar de Flávia pousou no rosto de Afonso.
— Sr. Afonso, perdoe o Enzo. Ele é imaturo e às vezes fala sem pensar. Por favor, não leve a sério.
Afonso só queria sair daquele ninho de cobras.
— Com licença.
Flávia assentiu levemente com a cabeça.
Assim que Afonso e Fábio viraram o corredor, ela deslizou até Isabella.
— A senhorita já está com um pé dentro da família Pinto como nora. Não fica nada bem ser flagrada se esfregando no ex-noivo, concorda? Fica parecendo que é... oferecida.
— O que aquela mulher sussurrou para você?
— Ela avisou para não pegarmos a Rodovia da Colina Oeste.
O peso daquelas palavras foi imediato. Os três ocupantes do veículo entenderam a mensagem.
Breno assumiu uma postura rígida, varrendo os arredores com os olhos.
Fábio ainda não conseguia encaixar as peças.
— Mas por que a Flávia te avisaria disso? Ela é mulher do Augusto. Que interesse teria em ajudar?
— Ela tem uma dívida de gratidão com a minha mãe.
Fábio arregalou os olhos.
— Existe história aí?
— Sim. O ex-namorado dela tentou vendê-la para um bordel de luxo há muito tempo. Ela ameaçou se matar lá dentro. Minha mãe teve pena, mandou tirá-la de lá e ainda lhe deu dinheiro para sumir e recomeçar a vida.
A intenção era que ela tivesse um futuro digno. Ironicamente, Flávia virou o jogo e se tornou a senhora de Augusto Pinto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...