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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 1228

A mente de Naiara estava em caos absoluto. Num impulso de autodefesa, ela soltou a pergunta que a assombrava:

— Então... você se casou de novo depois disso?

Magnus não esperava por aquela pergunta. Ele travou, buscando as palavras certas, temendo que uma vírgula fora do lugar magoasse a filha ainda mais.

Naiara inclinou a cabeça, os olhos carregados de mágoa.

— Você tem outra família?

Belmira rapidamente interveio para defendê-lo.

— Quando o seu pai acreditou que você e sua mãe estavam mortas, ele entrou em uma depressão terrível. Passou anos devastado. Ele só conheceu a mulher com quem está hoje mais de dez anos depois, querida.

— Então agora você tem a sua própria família, não é? — Naiara insistiu, mantendo o tom defensivo.

O homem, que jamais curvava a espinha diante do presidente da república, cedeu completamente diante da própria filha.

— Você é minha filha, você também é a minha família, Aurora...

Como uma criança teimosa, Naiara virou o rosto para o outro lado.

— Eu não me chamo Aurora. Meu nome é Naiara.

O semblante de Magnus escureceu num misto de dor e revolta.

— Eu não permito que se chame Naiara! Foi a família que quase destruiu sua vida que lhe deu esse nome! E acredite, eu ainda vou acertar as contas com eles!

Ouvir Belmira relatar os abusos que Luciana submetera à sua filha fez o sangue de Magnus ferver. Ele queria esfolar aquela mulher viva. Ela devia dar graças a Deus por estar trancada numa prisão!

Belmira queria rir e chorar ao mesmo tempo. Era o primeiro encontro de pai e filha, e os dois já estavam batendo boca?

Henrique Xavier, que estava sentado na cadeira de rodas perto da porta, não tinha ousado abrir a boca. Momentos antes, na sala, o General havia lhe passado um sermão monumental.

Era cômico pensar naquilo. Ele, o patriarca da poderosa família Xavier, recebendo bronca de outro homem feito uma criança, e sem poder retrucar. Se contasse por aí, ninguém acreditaria.

Henrique pigarreou, tentando quebrar o gelo.

— Meu caro consogro, você...

— Quem é o seu consogro?! — Magnus cortou, fuzilando-o com o olhar. — A família Xavier teve a honra de receber a minha filha, e em vez de protegê-la, vocês permitiram que ela fosse ao covil dos lobos resgatar um capacho de vocês sozinha?! Isso é um absurdo inaceitável!

— Veja bem, na verdade eu... — balbuciou Henrique.

— Chega! Não quero ouvir desculpas! Eu vou levar a minha filha embora daqui hoje mesmo!

Henrique nunca se viu num beco tão sem saída. Ele não podia confrontar um General de Exército, mas também não abriria mão da nora. O que faria?

Desesperado, Henrique olhou para Naiara como quem pede socorro.

Naiara ergueu os olhos marejados e franziu a testa para Magnus.

— Por que você está gritando com o meu pai?! Ele não fez nada de errado! Fui eu quem decidiu ir sozinha, ele nem estava sabendo!

— Seu pai?! — Magnus quase teve um aneurisma. — Você não me chamou de pai uma única vez desde que eu cheguei, e chama um estranho de 'pai' com toda a intimidade do mundo?!

— E não vou chamar! — retrucou Naiara, teimosa. — Ele é o meu pai. Ele me trata como a uma filha de verdade! Eu não vou a lugar nenhum, a minha casa é aqui! A família Xavier é a minha família!

— Você... — Magnus perdeu a voz.

— Magnus — Belmira puxou o braço do general, repreendendo-o baixinho. — Você não está no quartel. Não pode usar esse seu tom militar autoritário com a Naiara.

Foi como levar um soco no estômago. Magnus percebeu a besteira que estava fazendo.

Maldição!

Ele estava tão acostumado a dar ordens e gritar com subordinados que aplicou o mesmo tom à filha sem perceber. Aquela era a sua menininha perdida!

Desesperado para consertar o erro, ele abaixou o tom de voz até ficar quase melífluo.

— Aurora, me desculpe...

Naiara sentiu um nó gigante se formar na garganta.

— Naiara foi o nome que meu pai adotivo me deu. A Luciana era um monstro comigo, é verdade, mas meu pai adotivo, Thiago Jasmim, me amava e me protegia.

Magnus entendeu a dor dela e decidiu recuar. Não forçaria a barra.

— Tudo bem, tudo bem. Naiara será.

— Naiara — ele repetiu, acariciando os cabelos dela desajeitadamente. Era a primeira vez que demonstrava tamanha delicadeza em décadas.

Ele passou a vida inteira em campos de batalha; a palavra 'ternura' já nem existia no seu vocabulário.

— A partir de hoje, você ficará sob as minhas asas. O papai vai protegê-la pelo resto da vida. Vou compensar por todos os anos que perdemos, está bem?

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