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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 1229

Sim. Estava tudo bem.

Ela havia esperado a vida inteira para ouvir aquelas palavras. Uma eternidade.

Todas as injustiças, o sofrimento reprimido, as cicatrizes e o sentimento de abandono... tudo ruiu de uma só vez.

Naiara desabou num choro convulsivo e desesperado.

Eram as lágrimas de alívio por finalmente encontrar seu pai verdadeiro.

Mas também eram lágrimas de pânico e saudade pelo marido que não voltara.

Magnus finalmente conseguiu envolvê-la num abraço apertado, embalando-a contra o peito.

— Não chore, meu anjo. Daqui em diante, com o papai aqui, ninguém nunca mais ousará tocar em um fio do seu cabelo! Se os Xavier não conseguem protegê-la, o seu pai consegue!

Henrique Xavier coçou o nariz e achou melhor ficar em silêncio. Era a decisão mais sensata.

Naiara agarrou-se à farda de Magnus, escondendo o rosto no ombro dele, chorando sem amarras.

Ela também tinha um pai agora.

A partir de hoje, ela poderia agir de forma mimada e fazer birra no colo do próprio pai, como qualquer garota normal. Ninguém mais poderia apontar o dedo e chamá-la de 'filha adotiva e indesejada' da família Jasmim.

Ela tinha o seu próprio pai!

Mas, quanto mais ela chorava, mais o coração de Magnus se despedaçava.

— Shhh, pronto, acabou. Como é que a filha de um General de Exército chora desse jeito? Não precisa mais ter medo.

Naiara fungou, erguendo o rosto banhado em lágrimas.

— Pai... o meu marido desapareceu...

...

No dia seguinte.

Henrique Xavier, que sempre detestou badalação e convívio social desnecessário, abriu as portas da Mansão Xavier para receber visitantes.

A quantidade de pessoas que passou pelos portões da casa quase desgastou a soleira da porta. A esmagadora maioria eram figuras políticas de alto escalão e líderes locais.

Henrique conhecia a maioria deles. Mas sabia que não estavam ali por ele.

O desfile de bajuladores tinha um único objetivo: bajular a recém-descoberta filha do General do Comando Militar do Sul.

Quem poderia imaginar tal reviravolta? A sorte de todos eles é que sempre trataram os Xavier com deferência no passado. Se a tivessem ofendido, estariam cavando as próprias covas agora.

Naiara não tinha a menor disposição para receber aquelas pessoas. Mas os costumes sociais e a diplomacia exigiam que ela sorrisse e aceitasse os cumprimentos.

Foi um dia exaustivo, de infinitas trocas de cortesias vazias. Quando o crepúsculo finalmente cobriu a mansão, o silêncio retornou.

Mas aquele silêncio de repente pareceu sufocante.

A mansão estava vazia.

Felícia já não estava lá.

E o tio Eduardo também não.

O vazio ecoava pelas paredes. Pensar nos dois fez um nó subir à garganta de Naiara, e ela teve que segurar as lágrimas.

Uma criada trouxe-lhe uma tigela de sopa doce.

Naiara tomou apenas uma colher e empurrou a tigela, sem apetite.

A criada arregalou os olhos, amedrontada.

— Sra. Naiara, eu errei na receita? Tem algo que não lhe agrada? Posso refazer agora mesmo.

Naiara balançou a cabeça, o olhar perdido.

— O problema não é você.

O problema era que ela nunca mais sentiria o tempero das pessoas que se foram.

— Onde está o papai?

A criada pensou que ela se referia a Magnus.

— O General precisou retornar à base militar para resolver um imprevisto, só deve voltar à noite, senhora.

— Não, estou falando do meu sogro — corrigiu ela.

— Ah, o Sr. Henrique está no escritório.

Naiara caminhou lentamente até a porta do escritório e bateu duas vezes.

Um longo silêncio se seguiu antes da voz rouca autorizar a entrada.

— Entre.

Ao abrir a porta, Naiara viu o todo-poderoso Henrique Xavier enxugando as lágrimas apressadamente.

Aquele homem implacável, que raramente se permitia chorar, não suportava a dor de perder o amigo que o acompanhara a vida inteira.

O coração de Naiara apertou.

— Pai.

Henrique forçou um sorriso tristonho, tentando disfarçar a desordem.

— Ah, olhe para mim... que bagunça.

A mesa de mogno estava lotada de papéis velhos e objetos revirados.

— O senhor está procurando alguma coisa, pai?

Henrique soltou um suspiro pesado, carregado de melancolia.

— Eu me lembrei de uma foto que tirei com o Eduardo anos atrás. Tinha certeza de que a guardei em algum lugar aqui do escritório. Mas revirei tudo e não consigo encontrar.

Naiara aproximou-se e começou a organizar as coisas calmamente.

— Não se preocupe, pai. Outro dia a gente procura com mais calma.

Henrique girou a roda da cadeira, o olhar fixo no vazio.

— É verdade... com mais calma...

A pressa não adiantaria de nada. Os mortos já se foram.

Uma foto serviria apenas como lembrança. Uma âncora de memória para não permitir que, quando ficasse velho e confuso, se esquecesse do rosto do velho amigo que sacrificara a vida por ele.

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