— Chega! — repreendeu Franciely, furiosa. — Carlos, pare de assustar sua irmã. Eu acredito na Vitória, ela nunca a acusaria sem um bom motivo.
— Naiara! — O rosto da matriarca estava contorcido em desgosto. — Desde que você se casou e entrou para a família Lucca, você nunca contribuiu em absolutamente nada para nós. Em vez disso, vive batendo de frente com o Carlos, infernizando a vida dele e o deixando infeliz.
— Você come da comida da família Lucca, bebe da nossa água, gasta o dinheiro da família Lucca, e nunca exigimos que você saísse para trabalhar e ganhasse um único centavo. Você deveria estar de joelhos agradecendo à família Lucca e sendo eternamente grata ao Carlos.
— Mas o que você faz?! Ser incapaz de dar à luz um herdeiro já é um fracasso, mas para espalhar fofocas e criar confusão você é especialista! Você está tentando arruinar o bom nome e a honra da nossa família!
— Parece que hoje terei que lhe dar um castigo à altura!
Franciely assumiu sua postura imponente de matriarca.
— Vá agora mesmo para o pátio e fique de joelhos. Reflita sobre as suas atitudes. Sem a minha permissão explícita, você não ousa se levantar.
— Vovó... — Carlos sentiu um aperto de hesitação. — A Naiara, ela...
Franciely o cortou.
— Carlos! Vai me dizer que quer desobedecer às ordens da sua avó por causa dessa mulher? Não se esqueça de que sou eu quem dita as regras na família Lucca!
Carlos pesou as opções em sua mente e acabou engolindo as palavras que estava prestes a dizer.
Ele não queria enfurecer a matriarca apenas por causa de Naiara.
Naiara continuou sentada, sem mover um único músculo.
Karina esbravejou.
— Naiara! Você não ouviu o que a sua avó disse?! Vá se ajoelhar agora mesmo!
Naiara de repente começou a rir.
Um riso que carregava três partes de resignação e sete partes de puro deboche.
Karina a fuzilou com os olhos.
— Do que você está rindo?! Você não tem o menor respeito pelos mais velhos?!
Naiara falou com lentidão e precisão.
— Hoje eu finalmente tive o privilégio de ver o que significa inverter os valores e trocar o certo pelo errado. A nossa família Lucca adora brincar de ditadura, não é?
— Como vocês já têm um preconceito enraizado contra mim, mesmo que eu explique a verdade, vocês não vão acreditar.
Naiara soltou um suspiro de escárnio.
— Vocês não suportam olhar para a minha cara desde sempre. Só estão usando isso como uma desculpa esfarrapada para me humilhar. Por isso, é óbvio que a verdade não importa nem um pouco para vocês.
Karina tentou rebater, mas Franciely a impediu com um gesto.
— Pelo que você está dizendo, a Vitória está mentindo?
Naiara rebateu com frieza:
— E se estiver?
Franciely bufou com arrogância.
— Tudo nesta casa exige provas.
As únicas pessoas presentes na sala de jantar eram Naiara e Vitória. Franciely queria ver que tipo de prova aquela mulher conseguiria arrancar do nada.
Vendo que Naiara permaneceu em silêncio por um instante, Franciely presumiu que ela estava em pânico pela falta de evidências. Por isso, fez questão de acrescentar:
— Se você conseguir apresentar provas irrefutáveis de que a culpa foi da Vitória, então, hoje mesmo, eu a castigarei.
Vitória sentiu um frio na barriga.
— Vovó.
Franciely deu tapinhas na mão da neta para tranquilizá-la.
Confiante, Vitória voltou a fazer caretas e olhar para Naiara com desprezo.
A atitude mais arrogante possível.
Carlos se aproximou de Naiara e murmurou em um tom de comando contido.
— Pare com esse teatro. Peça desculpas para a vovó e para minha mãe, e eu intercedo por você. Quem sabe eu consiga livrá-la do castigo de se ajoelhar.
Naiara o encarou com um meio sorriso gélido.
— Você acha que eu preciso que você implore por mim?
Esperar pela ajuda de Carlos seria o mesmo que assinar a própria sentença.
No passado, quando sofria injustiças, ela sempre esperava que o marido tomasse a frente para defendê-la.
Agora ela percebia que isso era como procurar doces em uma caçamba de lixo.
Apenas se sujava e se humilhava.
Naiara voltou a atenção para a matriarca:
— Sendo assim, eu adoraria saber como a senhora pretende castigá-la.
Franciely estava tão certa de que Naiara não tinha provas que respondeu com firmeza e em alto e bom som.
— O mesmo castigo que seria seu, será dela.
— Ótimo.
Naiara percorreu os olhos por todas aquelas pessoas que estavam ali só para assistir à sua queda. Os cantos de seus lábios se curvaram em um sorriso debochado.
— Espero que a vovó seja uma mulher de palavra.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...