O jantar terminou e todos começaram a deixar o camarote.
Nas costas de Fábio, havia um peso extra: Isadora.
Ela já estava completamente apagada, vítima do excesso de álcool.
Fábio reclamou:
— Dava muito bem pra jogar essa garota aqui mesmo e ir embora. Quem mandou a gente se importar com ela?
Apesar das palavras duras, ele ajeitou o corpo dela em suas costas com cuidado, morrendo de medo de deixá-la cair.
Afonso lançou um olhar para a figura de Naiara, que andava um pouco mais à frente, e abaixou a voz.
— Está feliz agora?
Fábio sabia muito bem do que ele estava falando.
— Ganhei um carro esportivo de graça, como eu não estaria feliz?
Para Afonso, um carro a mais ou a menos não fazia a menor diferença. Ele não estava com raiva, apenas achava graça da ousadia.
— Usar as minhas coisas para me extorquir... só você para ter uma ideia dessas.
— Então agora eu vou te contar como eu consegui esse colar. Tenho certeza de que é isso que você quer saber. — retrucou Fábio.
Fábio então contou com detalhes como havia descoberto o colar com Vitória.
O fato de Vitória ter sido assaltada, naturalmente, fora obra dos homens de Fábio.
Afonso ficou em silêncio por alguns segundos.
— Obrigado.
Fábio o olhou de soslaio, cruzando os braços.
— Pode parar de usar essa palavra comigo? Fico com a impressão de que você está pronto para abandonar os amigos por causa de mulher.
— Não estou agradecendo por ter recuperado o colar. — respondeu Afonso.
Ele estava agradecendo por todo o resto...
Fábio soltou um sorriso amargo.
— Se você sabe que não tem futuro, por que insistir? É procurar sofrimento à toa.
Um traço fugaz de tristeza cruzou o olhar de Afonso.
— Você tem razão.
Fábio piscou, surpreso.
— Eu não estava falando de você, estava falando de mim. Quanto a você, acho que ainda dá para insistir mais um pouco.
Afonso fixou o olhar nas costas delicadas que caminhavam à frente.
— Ser apenas amigo... já é o bastante.
Pelo menos, ela ainda estava ali.
Para ele, aquilo já era o suficiente.
No dia seguinte.
Isadora acordou com a cabeça latejando, sentindo como se fosse explodir.
Ao abrir os olhos pesados de sono, percebeu que absolutamente tudo ao seu redor era estranho.
Obviamente, ela não estava em casa.
O pânico bateu, e Isadora sentou-se na cama de um salto.
Quando virou o rosto, o sangue gelou: havia mais alguém debaixo do edredom.
A pessoa estava coberta até a cabeça, impossível de identificar.
Isadora respirou fundo, agarrou a ponta do tecido e puxou.
Fábio estava dormindo profundamente, sem camisa.
Cerrando os dentes, Isadora jogou o próprio lado do edredom para trás.
Ela estava vestindo apenas sutiã e calcinha. Nada mais.
Isadora puxou o ar bruscamente e, sem pensar duas vezes, desferiu um tapa sonoro no braço do homem adormecido.
Fábio odiava ser acordado e despertou em fúria.
— Que merda é essa?! Quem está querendo morrer logo cedo?!
Mas, ao dar de cara com os olhos arregalados e mortais de Isadora, ele abriu um sorriso largo e preguiçoso.
— Bom dia, princesa. Já acordou?
Isadora forçou a voz a sair por entre os dentes cerrados.
— Onde eu estou?
Fábio bocejou espreguiçando-se.
— Na minha casa. É a sua primeira vez aqui, né? Daqui a pouco eu te dou um tour.
Tour o escambau!
— O que eu estou fazendo na sua casa?!
— Ué, eu te trouxe.
As sobrancelhas de Isadora se juntaram num vinco furioso.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...