Os lábios dela se curvaram num sorriso sem humor, os olhos tão opacos quanto águas paradas.
— Te dar tempo? Para você ter a chance de me destruir mais uma vez?
— Não, eu...
— Carlos — Naiara o cortou, a voz afiada. — Tem coisas que é melhor você engolir. O que acabou, acabou. Nada vai voltar para as suas mãos só porque você sentiu vontade ou porque bateu o arrependimento.
— E, francamente, quem sou eu para fazer um dos homens mais poderosos de Rio Belo se curvar assim?
— Então, tenha um pouco de dignidade. Guarde essas palavras e enterre esses pensamentos absurdos.
A expressão dela era gélida e resoluta.
— Se há algo neste mundo que o dinheiro não compra, é a chance de voltar no tempo. Portanto...
— Mesmo que esteja arrependido, apodreça com isso dentro de você. Porque eu não estou interessada em ouvir.
As palavras cortantes tiraram de Carlos qualquer capacidade de resposta.
O brilho de esperança que vacilava em seu olhar foi substituído por uma sombra de desespero.
Ele cerrou os lábios com força, enquanto a aura ao seu redor se tornava tão fria que chegava a arrepiar.
— Carlos, de agora em diante, quanto menos nos cruzarmos, melhor.
Naiara deu-lhe as costas e começou a andar. Após alguns passos, ela parou. Sem se virar, soltou um leve suspiro.
— E, Carlos... aprenda a enxergar as pessoas ao seu redor. Se não abrir bem os olhos, um dia vai ser esfaqueado pelas costas e ainda vai agradecer ao traidor.
Despertando de seu transe sombrio, Carlos franziu o cenho.
— O que isso quer dizer?
Naiara não se deu ao trabalho de responder. Retomou o passo e sumiu de vista.
Que ele mesmo descobrisse.
Se ainda existisse um pingo de sentimento por ele, talvez ela tivesse exposto a verdadeira face de Wilson ali mesmo.
Mas não restava absolutamente nada.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...