A espera era monótona e, ao mesmo tempo, torturante.
Como todos estavam consumidos pela preocupação, ninguém conseguiu comer direito as marmitas que José havia comprado. A única exceção era Gualter, que comeu até se fartar e, com uma perna jogada sobre a cadeira, já estava roncando.
Naiara se lembrou de uma conversa que teve com ele certa vez.
Ele havia dito: "Cresci sem pai nem mãe, sofri todo tipo de humilhação, passei por muitas provações e já até fui preso. Posso dizer que já morri uma vez. Então, hoje, não importa o que aconteça, eu vejo as coisas com distanciamento. Se for para viver, vivo; se for para morrer, morro. Não posso controlar isso, então escolhi deixar a vida seguir seu curso."
Ela tinha que admitir, era uma filosofia de vida impressionante. Acontecesse o que acontecesse, ele conseguia encarar de frente e aceitar em paz.
O celular de Naiara vibrou. Era uma mensagem de Fábio.
[Como está a garota? A cirurgia já acabou?]
Naiara digitou rapidamente: [Ainda não, acho que vai até o meio da noite. E você, como está?]
[Estou ótimo. Não se preocupe comigo agora. Quando tiver notícias dela, me avise.]
[Pode deixar.]
Após responder, Naiara começou a ser vencida pelo cansaço. Mesmo assim, lutava para se manter acordada. Queria esperar até o fim da cirurgia para ver Natália sair daquela sala.
Mas as pálpebras pesavam de forma impiedosa. Quando percebeu que não aguentaria mais, virou-se para Afonso.
— Vou fechar os olhos um pouquinho. Me acorde em vinte minutos.
— Tudo bem — respondeu ele.
Naiara adormeceu quase instantaneamente.
Belmira se aproximou a passos lentos.
— Dormiu?
— Sim — confirmou Afonso.
— Não a deixe pegar friagem.
Afonso tirou o próprio paletó e o ajeitou cuidadosamente sobre os ombros dela. Belmira voltou para o lado de Leonardo, observando os dois com os olhos brilhando de satisfação.
— Leonardo, olhe para esses dois. Quanto mais eu olho, mais acho que eles têm uma sintonia perfeita de marido e mulher.
Leonardo fez um sinal para que ela fizesse silêncio. Certas coisas deviam ser guardadas apenas no coração para evitar constrangimentos desnecessários.
O "pouquinho" de Naiara durou mais de uma hora. Ao acordar, percebeu que estava deitada nos assentos, coberta pelo paletó de Afonso e que seu travesseiro era... a coxa dele!
Afonso abaixou o olhar bem no momento em que ela abriu os olhos. O contorno perfeito de seu queixo e a linha desenhada de seus lábios estavam tão próximos que pareciam esculpidos.
Naiara engoliu em seco, constrangida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...