A cena do conflito entre Afonso Xavier e Carlos Lucca no hospital foi, de fato, gravada e jogada na internet. Mas foi apenas um vislumbre fugaz. Logo, todas as notícias sobre o assunto desapareceram sem deixar rastros.
Mansão Xavier.
Era uma propriedade comprada por Henrique Xavier a peso de ouro. Pela sua magnitude e design luxuoso, era conhecida como a residência mais prestigiada de Rio Belo. Dizia-se que o proprietário original não queria vender a casa, mas Henrique ofereceu o dobro do preço. Diante de tanto dinheiro, o antigo dono arrumou as malas e se mudou o mais rápido possível.
Eduardo era o braço direito de Henrique, servindo-o fielmente há quase trinta anos. Era também o velho mordomo que viu Afonso crescer. Quando Henrique se mudou para o interior, Eduardo veio junto. Naquele momento, Eduardo estava parado junto aos portões da propriedade, esticando o pescoço em uma expectativa ansiosa pelo retorno do jovem mestre.
O carro parou, a porta se abriu e uma perna longa e reta despontou do veículo. Eduardo correu para recebê-lo.
— Jovem mestre, você finalmente voltou.
Afonso nutria um afeto profundo por Eduardo. Henrique sempre fora um pai implacável com Afonso. Tão implacável que, bastava Afonso cometer um erro, ou mesmo tirar uma nota baixa na escola, para ser duramente punido. E era sempre Eduardo quem, de forma discreta ou explícita, intercedia por ele, implorando por clemência.
Quando Afonso era punido pelas duras regras da família, Eduardo o abraçava para protegê-lo dos golpes. Eduardo já havia recebido chicotadas de vime no lugar dele. Sem filhos próprios, ele amava Afonso como se fosse seu próprio sangue. Por isso, Afonso tratava Eduardo com o mesmo respeito que devotava aos mais velhos de sua própria família.
— Tio Eduardo — cumprimentou Afonso, com reverência.
Eduardo baixou o tom de voz para alertá-lo.
— O patrão foi dormir muito tarde ontem por causa do que você fez. Acordou cedo hoje e ficou só esperando você voltar. A fúria dele dessa vez, temo que seja maior do que nunca. Jovem mestre, tome muito cuidado.
— Eu sei, tio Eduardo — disse Afonso, segurando o braço do mais velho, com uma ponta de apreensão. — Tio Eduardo, se o patrão explodir de raiva daqui a pouco, por favor, tente acalmá-lo.
— Eu com certeza vou tentar — suspirou Eduardo —, mas o que aconteceu desta vez cruzou a linha vermelha do patrão. Receio que será muito difícil apagar esse incêndio.
Henrique estava sentado em sua poltrona de madeira nobre encrustada de ouro, com os olhos firmemente cerrados. Eduardo apressou o passo para anunciar a chegada.
— Patrão, o jovem mestre retornou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...