— Tem certeza de que olhou direito? — perguntou Naiara.
A recepcionista sorriu.
— Trabalho com isso há mais de dez anos, não teria como errar. Se não acredita, veja o extrato detalhado. O hospital não entrega a vocês a relação de gastos do dia anterior todas as manhãs? O saldo está impresso lá.
Eles entregavam, sim, mas Naiara nunca havia parado para olhar.
Na cabeça dela, o importante era curar Natália; dinheiro era o de menos. Mesmo que faltasse, ela daria um jeito de pedir emprestado.
Naiara voltou ao quarto.
Natália estava no celular, em uma ligação.
Naiara abriu a gaveta da mesa de cabeceira e pegou o extrato do dia anterior.
O saldo realmente estava lá.
E era um valor exorbitante.
Quem teria depositado tanto dinheiro?
— Tio, quando você vem me ver?
A voz de Natália arrancou Naiara de seus pensamentos.
Naiara apontou para si mesma.
Inteligente, a menina imediatamente passou-lhe o aparelho.
Naiara mal abriu a boca, e a voz preguiçosa, porém magnética, de Afonso soou do outro lado:
— A tia já chegou ao hospital?
Naiara deu um sorriso sutil.
— A tia já chegou ao hospital.
Afonso foi pego de surpresa e pigarreou levemente.
— Foi você quem colocou dinheiro no cartão de internação do hospital? — perguntou ela.
— Fui.
Naiara levou a mão à testa.
— Tínhamos combinado que eu mesma pagaria por isso.
A resposta de Afonso foi direta e inquestionável.
— O dinheiro que você tem não é suficiente.
Naiara não sabia se ria ou se chorava.
— Meu pai me deixou uma boa quantidade de joias e ouro.
— Guarde isso. Tudo o que ele deixou tem valor sentimental, seria uma pena vender.
— Mas eu não posso viver às suas custas.
— Não está gastando o meu dinheiro. É o seu.
— Meu?
— Sim. Vou descontar do seu salário.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...