Naiara não teve outra escolha a não ser engolir a seco. Havia comida em seu quarto, então ela nem sequer havia pensado em pedir para Felícia trazer algo. Mas Felícia, por puro carinho, trouxe a refeição escondida. Por isso, Naiara sentiu um peso enorme de culpa. Ela lançou um olhar para a "heroína que havia dado com a língua nos dentes" e, pela primeira vez, sentiu um nojo profundo de alguém. A expressão de Adriana mudou rapidamente. — Naiara, eu não fiz de propósito. Eu estava tão preocupadinha que você ficasse com fome, queria te levar um lanchinho, mas vi que a Felícia já tinha levado. — Bem na hora a vovó Franciely ligou, eu não pensei direito e acabei comentando sem querer. — Naiara, me desculpe... Naiara perdeu a paciência. — Cale essa boca! Estava tão óbvio, e ela ainda tentava fazer aquela cara de inocência pura. Adriana, fingindo-se de donzela indefesa, escondeu-se atrás de Carlos. Carlos demonstrou um leve descontentamento. — A Adriana é inocente, não pensou muito na hora e só disse a verdade. Que culpa ela tem? Franciely franziu a testa, repreendendo-a. — Naiara! Ponha-se no seu lugar, esta não é a sua casa, não tem o direito de dar chilique aqui! Uma aura gélida emanou de Naiara. Que belo uso da frase "não é a sua casa". Karina tinha o rosto banhado em escárnio. — Você acha que a família Jasmim de hoje ainda é a família Jasmim de antigamente? Vir cantar de galo na nossa família Lucca? Você escolheu o lugar errado para ser arrogante! Naiara riu friamente, mas sentiu pontadas de dor no peito. Mesmo que a família Jasmim não tivesse mais o glamour de outrora, quem foi rei nunca perde a majestade. Se a sua família de sangue se importasse com ela e estivesse disposta a apoiá-la, talvez ela não precisasse viver de forma tão humilhante na família Lucca. Naiara deu um sorriso gélido. — Agora eu sei muito bem o que é a arrogância de quem se acha superior. — Naiara! — Carlos caminhou a passos largos e a agarrou. — Cale essa sua boca! Após dizer isso, ele se aproximou dela. — Você esqueceu o que eu te disse ontem à noite? Naiara inclinou a cabeça, com um sorriso amargo. — Você se refere àquela parte de "viver uma vida boa"? Carlos captou o escárnio no fundo dos olhos dela e a fúria subiu. — A premissa é que você deve aprender a conviver com cada membro da família Lucca! Ah. O sorriso de Naiara foi o cúmulo da ironia. Esquece. Esse era o Carlos que ela conhecia. Ele nunca se importou se ela sentia dor ou se sentia injustiçada. O que importava para ele eram os negócios da família Lucca e o seu amor do passado. E não ela, essa esposa descartável. Naiara finalmente entendeu. Elas estavam apenas fazendo dela um exemplo, montando um teatrinho para ela ver. Quanto mais ela se importasse com algo, mais elas tentariam tirar isso dela. Matar a pessoa, destruir a alma. Como esperado das velhas raposas da família Lucca. Implacáveis e cruéis o suficiente. — Naiara! — Franciely gritou, com o rosto rígido. — O seu comportamento recente está cada vez mais indisciplinado. Onde está a postura de uma esposa recatada? Pelo visto, você não quer mais continuar com esse casamento, não é mesmo? De novo? Jogando verde para colher maduro? Naiara sabia muito bem o que estavam fazendo e, mesmo que a vontade de pedir o divórcio estivesse na ponta da língua, ela se segurou e não disse nada. Neste momento, ela absolutamente não podia cair na armadilha deles. Mas aquele ar preso no peito de Naiara tinha que ser expelido de alguma forma. Por isso, ela deu um meio sorriso, com os olhos cheios de desdém. — Vovó, a senhora parece estar repetindo as mesmas palavras ultimamente. Afinal, sou eu que não quero mais viver com o Carlos, ou é a senhora que não quer que eu viva com ele? Franciely congelou, lançando um olhar de reprovação para Carlos. Ontem, ela de fato chamou Carlos para uma conversa, com o objetivo de sondar as intenções dele. O que ela não esperava era que Carlos fosse totalmente contra o divórcio. Isso fez Franciely errar o cálculo. — Nesta casa, o meu marido é o meu pilar, então, eu só escuto a ele. Naiara apontou a lança deliberadamente para Carlos. — Se o meu marido decidir pedir esse divórcio, eu não direi uma palavra, mas se o meu marido não quiser se separar, estou disposta a ficar ao lado dele pelo resto da vida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...