Breno escancarou a porta da presidência sem sequer bater. Isabella já tinha ido embora. Afonso estava de pé, de frente para a janela panorâmica, seu rosto perfeitamente impassível escondendo as tempestades internas.
Ao ouvir o estrondo, ele se virou. A invasão repentina fez com que suas sobrancelhas se juntassem em reprovação.
— Desde quando você é tão mal-educado?
Breno estava com a cara amarrada e os olhos brilhando de revolta.
— Eu não vou!
Desta vez, Afonso não tolerou a rebeldia do rapaz.
— As minhas ordens não valem mais nada para você?
— Claro que valem! Mas eu não quero ir e pronto.
— Me dê um motivo.
— O motivo é que eu detesto aquela mulher.
Afonso apertou os lábios. Encarando aquele rapaz que nunca precisava disfarçar o que amava ou odiava, de repente sentiu inveja. Como ele gostaria de poder viver tão livremente quanto Breno, seguindo o próprio coração...
Mas Breno só podia ser livre porque o próprio Afonso o protegia e o mimava. E quanto a ele? Seu pai nunca o deixaria fazer o mesmo.
— Já está decidido.
— Senhor Afonso! — O garoto se desesperou. — Eu não quero ir! Por que o senhor está me obrigando?
A expressão do empresário endureceu.
— Breno! Não teste a minha paciência! Acaso tenho sido tolerante demais com você?
— Não me importo! Eu não vou! — exclamou o garoto, até ter uma ideia. — Me mande de volta para perto da Sra. Naiara! Eu a protejo!
Afonso ficou levemente abalado, mas se recompôs.
— Ela não precisa da sua proteção.
— Então eu não vou para lugar nenhum.
— Senhor — soluçou Breno, a voz embargada —, naquela noite, eu vi o senhor chorar.
José achou que estava alucinando. O chefe... chorando? Ele acompanhava Afonso há anos. Mesmo quando o velho patriarca da família o açoitava com um chicote, ele não soltava um único gemido de dor. Como era possível?
— Breno, não fale besteira — gaguejou José, a voz fraca. — Nosso patrão não chora.
— Chorou, sim! — Breno fechou os punhos, sentindo a dor como se fosse sua. — Naquela noite em que ele foi entregar o convite de aniversário do pai na casa da Sra. Naiara... Ele sentou no chão do estacionamento do Pátio do Luar e chorou em segredo!
Só então a ficha de José caiu. Por isso a voz do chefe estava tão destruída ao telefone naquela madrugada.
O coração de José se contorceu. Horas atrás, ele estava criticando Afonso por abandonar Naiara. Agora, entendia que não era por frieza. Ele simplesmente não podia intervir. Ele importava-se tanto que reprimira as emoções no ponto mais sufocante do próprio ser.
A dor de amar alguém e ser obrigado a tratá-la apenas como uma conhecida casual... só Afonso sabia como aquilo estava rasgando a sua alma.
— Senhor — disse Breno, limpando as lágrimas —, eu não sou idiota. Eu sei que o senhor gosta, não, o senhor ama a Sra. Naiara.
— Leve ela daqui! Fujam para o fim do mundo! Em algum lugar vai haver um espaço para vocês. Eu e o José vamos segui-lo para o resto das nossas vidas. Não importa o que aconteça, nós protegeremos vocês!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...