Passava das seis da manhã quando Pedro bateu na porta.
Afonso foi abrir.
Quando Pedro o viu, em vez de se assustar, adotou a postura de um aluno comportado.
— Bom dia, cunhado.
Afonso respondeu com um tom indiferente:
— Por que veio tão cedo?
— Perdi o sono, quis ver a minha irmã.
— No futuro, não perturbe o descanso da sua irmã a essa hora.
Pedro assentiu com a cabeça freneticamente.
— Entendido.
Naiara, que estava no banheiro lavando o rosto, escutou a troca de palavras perfeitamente e ficou de queixo caído.
Era simplesmente inacreditável que Pedro Jasmim pudesse ser tão submisso.
Seria Afonso o domador definitivo daquela fera mimada?
Naiara abriu a porta do banheiro.
Pedro estava sentado no sofá, com a postura perfeitamente alinhada e os olhos tão inchados que pareciam de um panda.
Apesar de não ter muita vontade de conversar com ele, ela não conseguiu se conter.
— Não dormiu à noite?
Pedro parecia murcho e sem esperança.
— Não. Eu não consegui pregar os olhos. Eu estou com muito medo.
— Você já é adulto, um homem feito. Do que você tem tanto medo? — perguntou ela, perplexa.
— Eu estou completamente perdido.
— Perdido em relação a quê?
— Em relação a nossa mãe... quer dizer, a minha mãe. Se ela for presa, o que vai ser de mim?
Naiara pegou a chaleira elétrica para esquentar água.
Afonso imediatamente a tomou de suas mãos, de forma fluida e natural, assumindo a tarefa.
— Se a mamãe for presa, eu não consigo tomar conta de tudo. Cedo ou tarde, vou arruinar o que sobrou e acabar com a família Jasmim inteira — lamentou Pedro.
Naiara não pôde deixar de sorrir.
— Pelo menos você tem autoconhecimento.
Aquilo talvez fosse uma virtude de Pedro. Saber perfeitamente qual era o seu lugar.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...