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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 922

— Irmã! Desde quando você tem tantos irmãos espalhados por aí? — perguntou Pedro, arfando de indignação.

Naiara tirou os óculos, recostou-se na cadeira e o fitou com uma expressão severa.

— E quem foi que te disse que eu tenho tantos irmãos? Eu só tenho um.

O humor de Pedro melhorou no mesmo instante.

— Então por que aquela garota lá fora disse que o Gualter também é seu irmão?!

— Porque ele é, de fato, meu irmão.

A alegria de Pedro despencou novamente.

— Mas você acabou de dizer que só tinha um!

— Exatamente. Ele.

Pedro ficou boquiaberto.

— Irmã! Como você pode fazer isso comigo?!

Naiara repousou a mão sobre a barriga, batendo levemente. Estava com um medo real de que os gritos daquele moleque assustassem o bebê.

— O que foi que eu fiz?

— Como você pode arrumar outro irmão lá fora?

Hm...

Aquela frase soou estranhamente familiar.

Parecia até o tipo de coisa que se diz quando alguém é pego traindo.

— Eu, como seu irmão, não sou o suficiente?

— Suficiente? — Naiara não hesitou em cortar suas asas. — Não só é suficiente, como já passou dos limites.

Pedro correu até o lado dela, usando um tom manhoso.

— Irmã, você só pode ter a mim como irmão.

A última sílaba foi arrastada de forma enjoativa.

Naiara nem se deu ao trabalho de encará-lo.

— O que você veio fazer aqui?

— Não muda de assunto! Primeiro resolve o lance do irmão. Por que você adotou outra pessoa?

— Porque ele me trata como uma irmã mais velha de verdade. Sabe se importar comigo, cuida de mim e me protege. — Naiara ergueu levemente o olhar, exibindo uma frieza cortante. — E você, sabe fazer isso?

— Eu... — Pedro engoliu em seco, sentindo o peso da culpa. — Eu sei, sim! Daqui para a frente, eu vou fazer tudo isso.

Naiara falou, com tom preguiçoso:

— Mesmo que soubesse, eu não iria querer. Fala logo, o que você quer aqui?

Pedro colocou a sacola que carregava em cima da mesa.

— Isso foi a nos... a minha mãe que mandou para você.

— Irmã.

Naiara respondeu com um murmúrio totalmente desprovido de emoção.

— Eu também vou te proteger — disse ele, sem olhar para trás. — De agora em diante, não vou deixar ninguém fazer mal a você.

Naiara apenas curvou levemente os lábios, sem dar muita importância.

— Vá logo.

No instante em que a porta do escritório se fechou, o coração de Naiara pesou.

Olhando para os camarões ainda soltando fumaça quente, um turbilhão de emoções tomou conta dela.

O calor afetuoso que surgia de repente nem sempre era uma tentativa real de reparação; muitas vezes, era apenas o reconhecimento tardio do seu valor e da sua capacidade.

Qualquer coisa oferecida depois que o momento de verdadeira necessidade já passou, perde completamente o sentido.

Naiara tampou a marmita novamente, pronta para jogá-la no lixo.

Mas mudou de ideia e interrompeu o movimento.

Melhor guardar. Jogar comida fora era um desperdício. Mais tarde, serviria como um jantar extra para o Bolinha.

...

A reunião já durava mais de duas horas.

Os diretores de departamento observavam, perplexos, o presidente da empresa. Afonso Xavier, conhecido por sua aura gélida e por nunca sorrir em reuniões, estava ostentando um sorriso leve o tempo todo.

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