Os lábios finos de Bernardo pressionaram levemente, e seus dentes morderam a orelha de Cora, tornando a atmosfera íntima.
Mas Cora sabia que não era um momento de carinho, e sim um aviso.
A cartilagem da orelha era fina e macia, e o toque dos dentes trazia ondas de dor.
Bastava Bernardo colocar força, e ela sangraria.
Era exatamente como a situação de Nicolas; se ela não fosse obediente, Nicolas poderia morrer a qualquer momento.
Um traço de tristeza transpareceu no olhar de Cora; ela não podia arriscar.
— Eu já entendi — ela aceitou seu destino, abaixando a cabeça e respondendo em silêncio.
— Boa menina. Vou ao escritório resolver umas coisas, vá dormir primeiro, está bem? — Bernardo finalmente a soltou.
Cora assentiu, sem dizer nada, e caminhou silenciosamente em direção ao quarto principal.
Bernardo ficou parado com uma das mãos no bolso, observando-a se afastar, mantendo uma expressão impenetrável o tempo todo.
Em seguida, ele seguiu para o escritório.
Era a postura de quem tinha a vitória nas mãos; em seu controle sobre Cora, ele não se permitia falhar.
Depois que Bernardo terminou de resolver os assuntos da empresa, Horácio ligou.
Ele atendeu prontamente:
— Me procurando a uma hora dessas?
Horácio provocou:
— Você passou todos esses dias em casa? Wilson disse que você está resolvendo todo o trabalho por aí. Nem sequer foi ver a Adelina. Que mosca te mordeu?
— Nada disso. Queimei a mão e não quis assustar a Adelina, então fiquei em casa. Quando sarar, eu vou — ele respondeu sem mudar de expressão.
Horácio, sem deixar claro se acreditava ou não, estalou a língua:
— Não foi por causa da Cora que você voltou correndo?
— Que bobagem — Bernardo negou de imediato.
Antes que Horácio pudesse falar, ele acrescentou com crueldade:
— Cora não tem a capacidade de me fazer voltar. Fazer com que ela se comporte é a coisa mais fácil do mundo. Basta jogar um pouco de conversa fiada e ela obedece direitinho. Que outro truque ela poderia inventar? Fazer todo aquele escândalo foi só para chamar a minha atenção. E agora, não voltou de mansinho?
Nas entrelinhas, ficava claro o desprezo e o controle que Bernardo exercia sobre Cora.
Por isso, teve a ousadia de não vestir nada, enrolando-se apenas em uma toalha de banho.
Por causa da gravidez, a temperatura do seu corpo ficava um pouco mais alta do que o normal, então ela não gostava de usar muita roupa.
Para evitar a sensação de abafamento e o calor excessivo.
Na cabeça de Cora, mesmo quando Bernardo estava em casa, ele só ia dormir lá pelas duas ou três da madrugada.
Momento em que ela já estaria em um sono profundo.
Antigamente, antes da gravidez, se Bernardo chegasse enquanto ela dormia, mesmo cheirando a álcool, ele a procurava na cama.
Por isso, ela não imaginou, nem por um segundo, que ele apareceria ali àquela hora.
Ela abaixou a cabeça para enxugar os cabelos.
Os fios de Cora eram muito longos, o que não facilitava a tarefa. Devido aos movimentos que fazia para se secar, a toalha acabou afrouxando um pouco.
— Ai! — ela exclamou baixinho e, em seguida, tentou puxar a toalha às pressas.
Mas quanto mais ela se apressava, mais se atrapalhava.
Quando a toalha escorregou, revelou a sua pele nua.

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