Bernardo, ainda com uma das mãos no bolso, viu tudo com clareza.
Ele engoliu em seco, com o pomo de adão oscilando, sentindo-se repentinamente provocado por Cora.
O olhar dele se tornou cada vez mais sombrio.
Ele se lembrou da forma submissa e dócil como Cora agia perto dele.
Mesmo transparecendo timidez, ela sempre cumpria os seus desejos sem questionar.
Aquele olhar que continha apenas o brilho das estrelas e a imagem dele satisfazia profundamente o seu ego masculino.
Além disso, a voz de Cora era suave e aveludada, extremamente agradável de se ouvir.
Nos momentos de paixão, o tom dela o arrebatava completamente.
Aquela cena fez com que ele agisse por puro impulso.
Sem pensar duas vezes, caminhou na direção dela.
— Ah! — Cora soltou um grito de surpresa, realmente assustada. — Você...
— Está tentando me provocar, Cora? — A voz de Bernardo soou grave e rouca enquanto sua figura imponente avançava sobre Cora.
Uma sensação de intimidação esmagadora tomou conta do ambiente.
— Não, eu não estou! — ela negou desesperadamente.
O desejo nos olhos de Bernardo era evidente demais.
Bastou um olhar para que Cora soubesse exatamente o que ele queria fazer.
Inconscientemente, sua primeira reação foi tentar fugir.
Ela se lembrou da gravidez e da brutalidade com que ele a havia tratado antes.
Ela não podia correr aquele risco.
— Está se escondendo de quê? — Bernardo ficou instantaneamente irritado.
Cora já havia sido puxada para os braços dele, e a toalha caiu no meio do puxão.
A pele dela era macia e impecável.
Por causa da gravidez, ela havia perdido um pouco da magreza inicial e estava com as curvas muito mais acentuadas.
Bernardo exalava perigo; Cora era a sua presa, e ele estava na caçada.
Aquela visão lhe proporcionou um estímulo sensorial avassalador.
Sem pensar em mais nada, ele abaixou a cabeça e a beijou ferozmente.
Cora foi empurrada contra a cama.
Ela olhou para Bernardo com resistência transbordando em seus olhos e tentou empurrá-lo com todas as forças.
Dessa forma, ela evitava o sofrimento e, paradoxalmente, acabava extraindo algum alívio físico daquilo.
Era uma dinâmica extremamente distorcida e doentia.
E foi assim que ele torturou Cora por sete longos anos.
Por isso, ao se dar conta da situação, ela não teve mais coragem de revidar.
Pelo menos não naquele momento; ela tinha que seguir o ritmo de Bernardo.
Faria isso pelo bebê. Faria isso por Nicolas.
Ela se viu novamente encurralada pela tirania dele, suportando tudo passivamente.
— Assim que se faz — Bernardo percebeu a submissão e suavizou o tom. — Desse jeito eu não machuco você, entendeu?
Cora mordeu os lábios, sem ousar se mexer, com o olhar repleto de preocupação pelo bebê em seu ventre.
Em meio a essa repressão angustiante, ela cedeu parcialmente.
Em sua mente, o que importava era que Nicolas ficasse bem e que o seu visto fosse aprovado.
Assim que isso acontecesse, ela fugiria de Bernardo para sempre.
Deixaria aquele homem que a oprimiu por sete anos.
Ela não queria mais amá-lo; já não tinha mais forças para amar.

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