Ao chegar em casa, Serena ouviu o celular apitar.
Abriu o WhatsApp e, para sua surpresa, Felipe a tinha adicionado.
Ela já o havia adicionado antes, mas ele a ignorou. E, dessa vez, era ele quem tomava a iniciativa.
O que ele queria? Depois de aceitar, ela esperou um bom tempo, mas ele não enviou nenhuma mensagem.
Serena não gostava de rodeios e ligou diretamente para ele por vídeo. A chamada foi atendida quase que instantaneamente.
Alguém parecia estar segurando o celular para ele, mas de um ângulo esquisito, vindo da lateral e de baixo para cima, mostrando apenas metade do seu rosto de perfil. O foco estava todo em seus lábios.
Eram lábios carnudos e avermelhados, como um pêssego.
Cof, cof...
Com certeza era um homem sem a menor noção segurando o celular.
Ouviam-se sons de cartas batendo na mesa e vozes anunciando jogadas.
Seria um jogo de baralho?
Chegou a vez de Felipe. Ele primeiro ajeitou o cigarro entre os lábios, puxou uma carta do monte, descartou outra na mesa e, então, tirando o cigarro da boca, anunciou:
— Oito de ouros.
— Diretor Costa, o senhor me adicionando no WhatsApp em meio a tantos compromissos... tem alguma ordem para mim? — perguntou Serena, em um tom claramente bajulador.
Felipe a olhou de relance. Com certeza por causa do ângulo, o olhar pareceu um tanto gélido.
— Acho que não sou tão ocupado quanto você.
— O Diretor Costa adora brincar.
— Tenho tanto tempo livre que adicionei seu WhatsApp e fiz uma videochamada só para brincar com você.
— ...
— Sr. Costa, que maldade! Tanto tempo sem vir me ver, eu estava morrendo de saudades. — uma voz soou de repente do outro lado.
Não era nem masculina nem feminina, e soava extremamente afetada.
Serena arqueou uma sobrancelha.
— Você foi para a Tailândia?
— Hahaha... — alguém gargalhou.
Um canto da boca de Felipe se curvou num sorriso. Ele esticou o braço e empurrou o celular para o lado. Com o movimento da câmera, Serena pôde ver as outras três pessoas na mesa.
Do outro lado estava Elvis; à sua esquerda, um homem de camisa preta e óculos de armação prateada que ela não conhecia bem, mas sabia ser Bryan Dias, o presidente e CEO da Eterno Medicina. Já o da direita, ela realmente não conseguiu reconhecer.
Ele usava uma camisa florida, tinha cabelos longos e tingidos de várias cores e usava brincos que brilhavam intensamente. Mas isso não era nada. Para completar, ainda tinha barba. O visual era de uma breguice sem tamanho, quase ofensivo aos olhos.


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